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Rede criminosa desmantelada pela PJ controlava 500 imigrantes, nem todos vítimas

A organização criminosa desmantelada na terça-feira na operação “Safra Justa” da Polícia Judiciária (PJ) controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo, mas nem todos são considerados vítimas de tráfico, revelou hoje fonte policial.

A fonte policial contactada pela agência Lusa explicou que “cerca de 500 trabalhadores estrangeiros, mas nem todos necessariamente vítimas de tráfico, estavam sob alçada desta organização criminosa”.

Os alegados crimes sob investigação vêm desde 2023 até à atualidade e, na sequência da operação policial desenvolvida na terça-feira, estão a ser inquiridas vítimas para memória futura nas instalações da Base Aérea n.º 11 de Beja (BA11), indicou.

“Mas, ao longo destes anos, têm vindo a ser ouvidas outras vítimas”, acrescentou a fonte.

Na terça-feira, em comunicado, a PJ anunciou ter desenvolvido a operação “Safra Justa”, que permitiu desmantelar uma organização criminosa de auxílio à imigração ilegal que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.

No total, foram detidas 17 pessoas, incluindo 11 elementos de forças de segurança – 10 militares da GNR e um elemento da PSP – e seis civis, entre os 26 e os 60 anos.

Os detidos vão começar a ser presentes hoje, a partir das 14:00, ao Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação, revelou hoje a fonte policial à Lusa.

Os factos investigados, de acordo com o Ministério Público (MP) e a PJ, são suscetíveis de integrar a prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal, tráfico de pessoas, corrupção ativa e passiva, abuso de poder, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Os 10 militares da GNR detidos, à data dos alegados crimes, pertenciam ao Comando Territorial de Beja da GNR, enquanto o agente da PSP, do Comando Distrital de Beja da Polícia, estava de baixa desde setembro de 2024, foi revelado na terça-feira.

Quanto aos seis civis, a fonte policial precisou hoje à Lusa que quatro são portugueses e dois são estrangeiros, “todos membros da organização criminosa”.

“Os dois estrangeiros são indostânicos e angariavam as vítimas dessa mesma origem e acabavam também por coagi-las e ameaçá-las”, argumentou.

Entre os portugueses, prosseguiu, encontra-se “o cabecilha” da rede, que foi “detido na via pública em Beja, às 05:00 de terça-feira”, enquanto os restantes eram “seus braços direitos”.

A operação foi realizada através da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da PJ, no âmbito de um inquérito titulado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

No total, foi dado cumprimento a cerca de 50 de mandados de busca e 17 mandados de detenção, não só em Beja, mas também em Portalegre, Figueira da Foz e Porto.

O MP argumentou que os suspeitos aproveitaram-se “da situação de fragilidade (documental, social e económica) de cidadãos originários de países terceiros, na sua grande maioria indocumentados, para daí retirarem avultadas vantagens económicas”.

Os imigrantes “estavam dispostos a trabalhar sem contrato formalizado” e recebiam “remuneração inferior à praticada no mercado para as funções” a realizar, por exemplo na agricultura.

“Os suspeitos não entregaram àqueles os valores prometidos, tendo-lhes deduzido montantes arbitrariamente impostos, referentes a despesas de alojamento, transporte, água, eletricidade e documentação”, salientou.

Os elementos de forças de segurança suspeitos, disse o MP, controlavam e vigiavam os trabalhadores estrangeiros “a troco de compensação económica” e “ameaçavam ainda aqueles cidadãos, dando-lhes a entender que a queixa às autoridades não seria uma alternativa viável para reagir aos abusos” de que eram alvo.

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