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Coruche assinala quatro anos da inscrição da tiragem da cortiça como património imaterial

A Câmara de Coruche celebra no sábado, 29 de novembro, quatro anos da inscrição da tiragem da cortiça no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, com um programa que junta formação técnica, reflexão sobre sustentabilidade e divulgação cultural.

A inscrição, concluída em 2021 após um processo de documentação, consulta pública e avaliação técnica, reconheceu oficialmente a tiragem como um “saber-fazer ancestral transmitido entre gerações, que moldou a paisagem humana, económica e cultural do concelho e dos territórios do montado ao longo de séculos”, refere a autarquia em comunicado.

Quatro anos depois, Coruche reafirma a centralidade desta prática com o seminário “Capacitar para Salvaguardar – Montado de Sobro e Cortiça: Um Património Coletivo a Valorizar”, que decorre no Observatório do Sobreiro e da Cortiça.

Segundo a organização, o encontro reúne especialistas, instituições e agentes do território num debate “sobre boas práticas, sustentabilidade e transmissão intergeracional deste saber-fazer ancestral”.

O encontro inclui sessões sobre descortiçamento, recolha de amostras, e culmina com uma sessão prática e um momento simbólico de apadrinhamento de sobreiros.

Em paralelo, às 16:00, a Casa da Cultura de Mora inaugura a exposição itinerante “A Tiragem da Cortiça: Antes e Depois”, criada a partir do Núcleo Rural de Coruche.

Patente até 09 de janeiro, a exposição convida o público a descobrir a história económica da cortiça, a evolução da prática do descortiçamento, as ferramentas, a memória das famílias tiradoras e “a forma como o montado moldou a estrutura social e a paisagem do sul do País”.

No balanço destes quatro anos, a autarquia sublinha que “entre reflexão, prática, divulgação e celebração, Coruche assume o papel de guardião de uma das manifestações culturais mais emblemáticas de Portugal, projetando o montado e a cortiça como marca viva, partilhada e identitária”.

A prática, acrescenta, “continua a resistir à mecanização e a depender da precisão e da responsabilidade do tirador”, permanecendo enraizada nas freguesias rurais e em famílias com tradição intergeracional.

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