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Investimento de 120M€ na Linha de Vendas Novas «vai aumentar em 50% a oferta ferroviária» (c/fotos)

A modernização da Linha de Vendas Novas assume-se como uma peça central na estratégia nacional para o transporte ferroviário de mercadorias, reforçando a ligação entre o Porto de Sines, o Norte do país e os principais corredores europeus. A consignação da empreitada, assinada em Vendas Novas, esta segunda-feira, marca o arranque de uma intervenção estruturante, integrada num investimento global de cerca de 204 milhões de euros.

Apesar de ser uma linha pouco conhecida do público em geral, o seu peso na rede ferroviária nacional é determinante. «É de facto uma linha que passa um bocadinho despercebida, talvez porque é essencialmente de mercadorias, mas é um dos principais eixos de ligação entre o Norte e o Sul de Portugal», sublinhou o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, Carlos Fernandes, durante a cerimónia.

Porta principal de saída do Porto de Sines

A Linha de Vendas Novas funciona como o principal corredor ferroviário para escoamento das mercadorias provenientes do Porto de Sines, evitando a passagem pela Área Metropolitana de Lisboa, onde se concentram fortes limitações ao tráfego ferroviário pesado. Segundo Carlos Fernandes, «a Ponte 25 de Abril tem fortes limitações ao tráfego de mercadorias e, por isso, tudo o que vai de norte para sul tem obrigatoriamente de passar por esta linha».

Num dia típico, circulam cerca de 20 comboios de mercadorias, dez em cada sentido, muitos deles com origem ou destino no Porto de Sines. «Estamos a falar de uma infraestrutura que permite retirar da estrada cerca de mil camiões por dia», explicou o responsável da IP, salientando o impacto direto da ferrovia na redução do tráfego rodoviário e das emissões poluentes.

Mais capacidade, mais fiabilidade e menos emissões

A empreitada agora consignada, no valor de cerca de 120 milhões de euros, permitirá aumentar a capacidade da linha, melhorar a fiabilidade da operação e reduzir custos para os operadores ferroviários. Carlos Fernandes destacou que este investimento «vai viabilizar um aumento de 50% na oferta e na procura nesta linha», o que se traduz em mais quatro milhões de toneladas de mercadorias transportadas por ferrovia.

O impacto ambiental é outro dos pilares do projeto. De acordo com a Infraestruturas de Portugal, a modernização da Linha de Vendas Novas permitirá uma redução estimada de cerca de meio milhão de toneladas de CO₂ até 2050, alinhando a intervenção com os objetivos nacionais e europeus de descarbonização.

Uma obra integrada num plano mais amplo

A modernização da Linha de Vendas Novas é apenas a primeira de várias grandes intervenções ferroviárias previstas para a região. «Estamos a terminar o Corredor Internacional Sul, a ligação entre Évora e a fronteira, e a modernização da linha de Sines. Este é o primeiro projeto que arranca, mas outros seguir-se-ão nos próximos meses», afirmou Carlos Fernandes, referindo também a futura intervenção entre Casa Branca e Beja e a duplicação do troço Poceirão–Bombarral.

A obra agora iniciada inclui a renovação integral da superestrutura de via, intervenções em 11 estações técnicas — cinco das quais serão prolongadas para permitir o cruzamento de comboios com 750 metros —, a substituição de passagens hidráulicas, a estabilização de taludes e o reforço da segurança, com o encerramento e automatização de passagens de nível.

Linha preparada para os padrões europeus

A intervenção contempla ainda a adaptação da linha aos padrões mais modernos ao nível da sinalização e das telecomunicações. «Estamos a preparar esta infraestrutura para os desafios futuros, quer em termos de segurança, quer de alterações climáticas», explicou o vice-presidente da IP, destacando a substituição de passagens hidráulicas para maior capacidade de caudal e a instalação de infraestruturas para comunicações GSM-R.

Com um prazo de execução de 48 meses, a empreitada é financiada no âmbito do Portugal 2030, através do Programa Ação Climática e Sustentabilidade, com um apoio comunitário de 108 milhões de euros. Para a Infraestruturas de Portugal, trata-se de um investimento determinante para reforçar a competitividade logística do país e consolidar o papel da ferrovia como alternativa sustentável ao transporte rodoviário de mercadorias.

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