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CNA critica acordo UE–Mercosul e avisa para impacto negativo nos rendimentos agrícolas

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) avisou hoje que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul terá “mais perdas do que ganhos” e defendeu que os agricultores terão os seus rendimentos ainda mais comprimidos.

“Ao longo destes últimos anos temos vindo a alertar para as consequências negativas deste acordo para os agricultores e, portanto, olhamos para isto como uma muito má notícia, sobretudo, para os países mais periféricos, como Portugal, que já têm problemas de abandono da agricultura e desequilíbrios na balança comercial”, apontou o dirigente da CNA Vítor Rodrigues, em declarações à Lusa.

O Conselho da União Europeia anunciou hoje a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul, que deverá ser assinado esta segunda-feira pela presidente da Comissão Europeia no Paraguai.

Para a CNA, a UE sacrificou a agricultura “no altar das grandes indústrias”, em particular da Alemanha e França, abrindo a porta a produtos do Mercosul, que vão comprimir os rendimentos dos agricultores.

A confederação vincou ainda ser impossível fiscalizar “do outro lado do oceano com os critérios deste lado” e destacou o impacto que se vai sentir em setores como o da carne bovina.

“O que vamos perder será muito mais do que alguma coisa que se possa ganhar”, insistiu.

Os agricultores pedem à Europa que encontre formas de dignificar os seus rendimentos neste quadro de liberalização do comércio.

Entre os instrumentos à disposição, Vítor Rodrigues destaca a proibição de compra de produtos agrícolas abaixo do preço da produção.

“A prioridade da União Europeia neste processo nunca foi a agricultura, mas a grande industria, como a dos automóveis”, lamentou.

O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, aplaudiu hoje o acordo entre a UE e o Mercosul e destacou o impacto importantíssimo para Portugal, que poderá agora saldar o défice com este mercado.

O governante, que falava aos jornalistas, em Lisboa, sublinhou que, face à situação geopolítica, este acordo é essencial, destacando “grandes oportunidades” para produtos como o vinho, azeite e queijo.

José Manuel Fernandes lembrou que existe um défice de 500 milhões de euros na balança comercial em relação ao Mercosul e que este acordo vai permitir saldar esse valor.

Questionado sobre a possibilidade de Portugal atingir um superávite, o antigo eurodeputado considerou ser possível, tendo em conta que o país tem “excelentes empresas” que têm feito o seu trabalho, mas ressalvou que este acordo é também um desafio e que é preciso que o país seja ainda mais proativo.

O dirigente da CNA Vítor Rodrigues considerou que o preço do azeite já é alto e que as tarifas aplicadas não constituem um fator decisivo na formação do valor deste produto.

Já no que se refere aos queijos, a confederação disse que, do ponto de vista dos principais componentes da alimentação humana, o ganho neste setor não é comparável com as perdas nos setores da carne bovina, suína e de aves.

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