InícioOpiniãoO ano arranca agridoce...

O ano arranca agridoce em cenário global e nacional

O início de 2026 trouxe notícias geopolíticas e políticas que marcaram o mundo e Portugal de forma profunda.

O início de 2026 trouxe notícias geopolíticas e políticas que marcaram o mundo e Portugal de forma profunda.

Ainda no dia 4 de janeiro, várias agências internacionais noticiaram que os Estados Unidos detiveram o presidente venezuelano Nicolás Maduro no seu país, um acontecimento que provocou forte repercussão global e levantou questões sobre o cumprimento do direito internacional e as relações entre potências mundiais. Esta ação gerou reações contraditórias em diferentes blocos políticos, enquanto alguns a consideram uma intervenção legítima para restaurar a democracia na Venezuela, outros apontam para uma violação dos princípios da soberania dos Estados.

Em Portugal, o ano político também começou com incertezas. No dia 18 de janeiro, os eleitores portugueses participaram na primeira volta das eleições presidenciais, mas nenhum dos 11 candidatos conseguiu mais de 50 % dos votos necessários para vencer à primeira. Assim, o país foi convocado para uma segunda volta a 8 de fevereiro, entre os dois candidatos mais votados: António José Seguro, do Partido Socialista, e André Ventura, líder do partido Chega.

Os dados oficiais mostram que Seguro foi o mais votado na primeira volta, com cerca de 31,12 % dos votos, seguido por Ventura com 23,52 %. A terceira e quarta posições foram ocupadas por João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) e Henrique Gouveia e Melo (independente), com cerca de 16 % e 12,3 %, respetivamente.

Abstenção e participação eleitoral, apesar de esta ter sido a eleição com maior participação desde 2006, comparada com a anterior de 2021, ainda assim 47,74 % dos eleitores inscritos não votaram, o que significa que apenas cerca de 52 % da população recenseada participou no ato eleitoral.

Esta elevada abstenção é um sinal de alerta, sobretudo considerando que o direito de voto foi uma conquista democrática conquistada com esforço ao longo de décadas e que hoje parece ser desvalorizado por uma parte significativa dos eleitores.

Temos assim dois caminhos para Portugal, a segunda volta entre Seguro e Ventura opõe visões políticas bastante distintas para o futuro de Portugal. Seguro, que já foi secretário-geral do Partido Socialista e regressou à política ativa, propõe um projeto centrado na defesa dos valores democráticos e na unidade nacional. Ventura, por seu lado, representa uma direita mais radical, com um discurso focado na crítica com temas sobre imigração e segurança.

Após a primeira volta, vários partidos formalmente mais à esquerda e centro-esquerda manifestaram apoio a Seguro, apelando ao eleitorado para travar o avanço da extrema-direita. Alguns líderes centristas e do PSD (Partido Social Democrata) também anunciaram que votarão em Seguro na segunda volta, enquanto outros optaram por não apoiar formalmente nenhum dos dois candidatos.

A Presidência da República em Portugal é em grande parte cerimonial, trata-se de uma figura fundamental na vida política nacional. O Presidente tem poderes constitucionais importantes, como a possibilidade de dissolver o Parlamento ou vetar legislação, e atua como garante do funcionamento democrático do Estado. Escolher quem ocupará este cargo influencia o tom político dos próximos cinco anos, especialmente num momento em que a Europa enfrenta desafios económicos, sociais e de segurança crescentes.

Mais notícias

A República encenada e os seus imobilistas

O texto desta semana arrisca um pequeno desvio ao comentário político convencional. Inspirado no...

O Partido Republicano e o seu simulacro

Reagan e Trump são, formalmente, do mesmo partido, mas pertencem a tradições políticas quase...

Urbanos rurais

Todos somos rurais, ou pelo menos já o fomos; nenhum de nós é, por...

Nanomateriais de carbono como aliados no tratamento do cancro

O cancro continua a ser um dos maiores desafios da medicina moderna, sendo responsável...

As Low-cost construíram a mobilidade dos Europeus

As companhias aéreas de baixo custo representam uma das maiores revoluções da Europa das...

Barreto e a sua Anatomia da Revolução

António Barreto desenvolve em “Anatomia de uma Revolução: A Reforma Agrária em Portugal” um...

Abril vive em cada um de nós!

Celebrámos no passado fim de semana os 52 anos de um dos dias mais...

Discurso dos 52 anos do 25 de Abril

Celebramos hoje, em Évora, os 52 anos do 25 de Abril e 50 anos...

Portugal não arde por acaso

Portugal não arde por acaso. E já não há paciência para fingir que sim. Todos...

Mais visto