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Ovibeja quer influenciar decisões políticas e aproximar jovens do campo, diz vice-presidente da ACOS

Evento agrícola regressa a Beja no final de abrill com forte aposta na pecuária, raças autóctones e ligação às novas gerações.

A Ovibeja 2026 quer ir além da promoção agrícola e assumir-se como espaço de influência política e pedagógica, aproximando decisores e jovens da realidade do mundo rural.

A ambição foi assumida pelo vice-presidente da Associação de Agricultores do Sul (ACOS), Miguel Madeira, em declarações ao jornal ODigital.pt, que destaca o papel estratégico do evento para o setor.

Ovibeja quer “influenciar decisões políticas” no setor agrícola

A poucas semanas do arranque, a organização mantém expectativas elevadas para mais uma edição da feira, considerada uma das mais relevantes do setor agrícola em Portugal.

“A Ovibeja é um dos eventos mais importantes do ponto de vista agrícola a nível nacional”, sublinha Miguel Madeira, apontando não só o número de visitantes, mas também a presença de decisores políticos como fator determinante.

O responsável reforça que o objetivo passa por dar a conhecer o terreno a quem decide: “poder ter alguma influência nas decisões políticas no sentido de ajudar mais a agricultura”, abrangendo não apenas a produção agrícola, mas também a pecuária e a floresta.

Trás-os-Montes em destaque com raças autóctones e património genético

A edição deste ano conta com Trás-os-Montes como região convidada, trazendo uma forte representação de raças autóctones, incluindo bovinos, ovinos, caprinos, suínos e o emblemático burro mirandês.

Segundo Miguel Madeira, a escolha segue a lógica de rotatividade entre regiões, mas sublinha a relevância do contributo transmontano, destacando o trabalho de preservação de algumas espécies: o burro mirandês, por exemplo, “é uma raça que está em risco e […] muito acarinhada”, com esforços reconhecidos na sua conservação.

Desfile de raças quer aproximar público da ciência e da tradição

Uma das principais novidades da Ovibeja é o desfile comentado de raças no pavilhão da pecuária, com explicações técnicas ao vivo.

A iniciativa pretende colmatar uma lacuna comum nas feiras: a dificuldade do público em compreender o valor genético e histórico dos animais expostos. “As pessoas visitam, acham interessante, mas muitas vezes não percebem o que está ali em causa”, explica o vice-presidente.

Com o apoio de especialistas, será possível contextualizar séculos de seleção genética e explicar as características específicas de cada raça, num esforço de valorização do património pecuário nacional.

Atividades pedagógicas combatem afastamento dos jovens do mundo rural

A vertente pedagógica volta a assumir um papel central, com iniciativas dirigidas sobretudo às gerações mais novas, num contexto de crescente afastamento da realidade agrícola.

Miguel Madeira alerta para um fenómeno preocupante: “Os mais novos vão, infelizmente, muito desligados do que é a vida no campo”.

Demonstrações como a tosquia de ovelhas ou atividades do projeto ACOS+ pretendem contrariar esse desconhecimento, mostrando desde a origem da lã até à produção de alimentos. A organização assume, assim, uma missão educativa, levando o campo até à cidade.

“Vinho à Prova” reflete desafios do setor vitivinícola

O tema desta edição — “Vinho à Prova” — tem um duplo significado: por um lado, remete para a degustação, por outro, para as dificuldades que o setor enfrenta.

“O sector vitivinícola está a passar um momento difícil em termos comerciais e de vendas”, reconhece Miguel Madeira, explicando que a Ovibeja vai promover debates técnicos e comerciais, bem como espaços de prova e contacto direto com produtores.

A estratégia passa por articular promoção, reflexão e negócio, num momento particularmente sensível para o vinho português.

Ovibeja regressa a Beja entre 29 de abril e 3 de maio

A Ovibeja decorre entre 29 de abril e 3 de maio, em Beja, e deverá voltar a ultrapassar os 100 mil visitantes, afirmando-se como um dos principais eventos agrícolas do país.

Ao longo de cinco dias, o certame junta profissionais do setor, público urbano e decisores políticos, consolidando o seu papel como ponto de encontro entre o mundo rural e a sociedade.

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