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Modelo português continua a ser a resposta central para novos desafios nas dependências, diz vice-presidente da CCDR Alentejo

Vice-presidente da CCDR Alentejo defende reforço do modelo português e da resposta pública nas dependências.

O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, com a pasta da Saúde, Marciano Lopes, defendeu a continuidade e adaptação do modelo português de combate às dependências como base para responder aos novos desafios nesta área.

As declarações foram prestadas ao Jornal ODigital.pt no âmbito das comemorações dos 30 anos do Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central (CRIAC), que decorreram esta quinta-feira, em Évora.

Modelo português marcou mudança de paradigma

Marciano Lopes destacou a evolução registada nas últimas décadas, sublinhando a mudança na forma como a toxicodependência passou a ser encarada em Portugal. «Passou-se de uma perspetiva de transgressor e potencial criminoso para doente utente», afirmou, referindo-se à alteração de paradigma introduzida no início dos anos 2000.

O responsável considerou que esta transformação representou «um salto civilizacional», permitindo melhorar a resposta institucional e a integração dos utentes no sistema de saúde.

Segundo o vice-presidente da CCDR Alentejo, este percurso deu origem ao chamado modelo português, assente em políticas públicas estruturadas e numa abordagem integrada. «O modelo português tem funcionado», afirmou, destacando o reconhecimento internacional desta estratégia.

Acessibilidade e resposta pública no centro da intervenção

Marciano Lopes defendeu que o acesso aos cuidados deve continuar a ser uma prioridade, sublinhando a necessidade de garantir respostas próximas das populações. «O importante é que ninguém fique para trás», afirmou, apontando a acessibilidade como um dos pilares do sistema.

O responsável destacou ainda o papel das equipas de proximidade, como unidades móveis e equipas de rua, como instrumentos fundamentais para chegar a populações mais vulneráveis. «Às vezes é preciso ir buscar as pessoas lá», referiu.

Defendeu também que o Estado deve manter um papel central na resposta às dependências. «Quando o Estado está presente, as coisas têm tendência a funcionar bem», afirmou, sublinhando a importância da regulação e da coordenação pública.

Novas dependências exigem adaptação das políticas

O vice-presidente da CCDR Alentejo alertou para o surgimento de novas formas de dependência, associadas a comportamentos e contextos digitais. «As adições não desaparecerão. São novas adições, sem substância, associadas ao online», referiu.

Neste contexto, considerou essencial preparar respostas adequadas, mantendo como base o modelo português, mas ajustando-o às novas realidades.

Prevenção e educação como prioridades futuras

Marciano Lopes destacou a importância da prevenção e da educação para a saúde como instrumentos essenciais na redução dos comportamentos aditivos. «Prevenir, educar para a saúde e promover estilos de vida saudáveis» são, segundo o responsável, áreas que devem ser reforçadas, nomeadamente através da integração destas matérias no sistema educativo.

O responsável sublinhou ainda que o combate às dependências deve ter como objetivo central a redução do sofrimento associado. «Combater o sofrimento é o grande objetivo das políticas de combate às adições», afirmou.

Profissionais e comunidade como pilares da resposta

Marciano Lopes valorizou o papel dos profissionais que trabalham nesta área, considerando-os determinantes para o sucesso das políticas públicas. «Temos profissionais de excelência, que vestem a camisola», afirmou.

O responsável concluiu destacando a necessidade de continuidade do trabalho desenvolvido, apontando os próximos anos como determinantes para consolidar e adaptar as respostas às novas exigências na área dos comportamentos aditivos.

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