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Pai confessa que matou o filho em Moura e diz que “não merece ser preso” mas sim “enforcado”

O homem que começou hoje a ser julgado no Tribunal de Beja por matar um filho, no concelho de Moura, confessou a autoria do crime.

O homem que começou hoje a ser julgado no Tribunal de Beja por matar um filho, há quase um ano, no concelho de Moura, confessou a autoria do crime, procurando ilibar o outro arguido, também seu filho.

Na primeira sessão do julgamento, o homem, que responde em tribunal por homicídio qualificado agravado e detenção de arma proibida, alegou que o disparo de caçadeira contra o filho foi acidental e manifestou arrependimento.

“Um pai que mata um filho não merece ser preso, merece ser enforcado”, afirmou o arguido, de 68 anos, argumentando que, aquando dos factos, “não tinha noção do que estava a fazer”, devido ao seu estado de embriaguez.

Perante o coletivo de juízes, o homem relatou que, na manhã do dia 10 de junho de 2025, chegou, embriagado, ao acampamento onde residia com a família, em Baldio das Ferrarias da Amareleja, no concelho de Moura, distrito de Beja, e apontou a caçadeira a todos os familiares.

Naquele momento, referiu, o filho mais velho colocou-se à sua frente, “puxou os canos da espingarda” para lhe tirar a arma das mãos e deu-lhe “um safanão” que fez com que disparasse.

O alegado homicida alegou, inicialmente, que, antes do disparo, não tinha existido qualquer discussão entre os familiares, mas, mais à frente na sessão, acabou por admitir que os outros dois filhos “estavam a discutir por causa de um cavalo”.

Já quanto ao outro arguido no processo, também seu filho e irmão da vítima, acusado de homicídio qualificado agravado, detenção de arma proibida, ofensa à integridade física qualificada e ameaça agravada, encontrava-se, na altura do disparo, no “curral dos cavalos” acompanhado por outro familiar, afiançou o pai.

Este filho, continuou o arguido mais velho, não foi buscar a caçadeira nem a carregou e também não ameaçou ninguém.

Em resposta às perguntas do coletivo de juízes e das partes, o filho que é arguido, de 35 anos, negou ter discutido com o irmão falecido e declarou que nunca deu a arma ao pai nem lhe disse para disparar contra a vítima.

“Nem lá estava”, frisou, salientando que, quando ouviu o disparo, dirigiu-se ao local onde se encontrava o irmão caído para o socorrer.

Este arguido recusou que tenha fugido após o crime e foi perentório: “Estou inocente, nunca fiz mal a ninguém”, afirmou.

Segundo o Ministério Público (MP), em 10 de junho de 2025, num acampamento em Baldio das Ferrarias da Amareleja, durante uma discussão familiar relacionada com um negócio de uma égua realizado pela vítima, o arguido mais novo, seu irmão, foi buscar uma espingarda que municiou e entregou ao pai, dizendo: “dispara a ele pai”.

A decisão instrutória de 16 de fevereiro deste ano, que manteve integralmente a acusação do MP, refere também que, empunhando a arma, o pai disparou, atingindo o filho de 45 anos no abdómen, o que lhe provocou a morte.

O arguido mais novo, ainda que não tenha feito o disparo, “praticou, em repartição de tarefas, uma parte necessária e decisiva da execução do plano, uma vez que municiou a espingarda e a entregou ao arguido” mais velho, pode ainda ler-se.

O pai está em prisão preventiva desde 13 de junho de 2025, depois de ter sido detido no dia anterior, medida de coação que também está a cumprir o outro arguido, desde 07 de agosto do ano passado.

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