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Mário Moita: O artista alentejano que levou o fado ao piano e agora cruzou Portugal com Cuba

Mário Moita lançou um novo projeto gravado em Cuba e atua este sábado em Vila Viçosa com o espetáculo “Fado ao Piano”.

Com mais de três décadas de carreira, atuações em vários continentes e projetos que cruzam o fado com diferentes culturas musicais, Mário Moita continua a apostar na fusão entre a música portuguesa e os sons do mundo. O cantor, pianista e compositor natural de Reguengos de Monsaraz lançou recentemente “Te Quiero Havana”, um novo trabalho gravado em Cuba com músicos ligados aos Buena Vista Social Club, e prepara-se agora para subir ao palco do Cineteatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, este sábado.

Em entrevista ao Jornal ODigital.pt, o artista falou sobre o percurso internacional, as raízes alentejanas e o novo projeto que nasceu após mais de uma década de contactos com músicos cubanos.

O encontro entre o fado e Cuba

A ligação à música latina acompanha Mário Moita desde os primeiros anos da carreira. O artista recorda que uma das primeiras grandes experiências televisivas aconteceu em 1993, no programa “Chuva de Estrelas”, onde interpretou um tema de Luis Guerra.

«Sempre cantei músicas latinas e ao mesmo tempo tive sempre o projeto do Fado ao Piano», explicou.

O novo álbum começou a ganhar forma após um encontro num festival em São Paulo, onde conheceu músicos ligados aos Buena Vista Social Club.

«Conheci a banda dos Buena Vista Social Club num grande festival em São Paulo, onde eu também atuei. Conheci o Barbarito Torres, de quem fiquei amigo até hoje. Desde essa altura começámos a imaginar como poderia ser possível este projeto em conjunto», contou.

O projeto avançou anos depois, já em Madrid, antes da deslocação da equipa a Havana para a gravação do disco e dos videoclipes.

«Mudámo-nos algumas semanas para Cuba, onde gravámos vários videoclipes e gravámos nos famosos estúdios Abdala», afirmou.

Segundo Mário Moita, o objetivo passou por criar uma verdadeira fusão entre a música portuguesa e cubana.

«Foi a primeira vez que uma guitarra portuguesa tocou música cubana. É mesmo uma fusão entre Cuba e Portugal.»

O disco inclui adaptações de temas portugueses para ritmos cubanos, como salsa e son montuno, além de duetos com músicos da ilha. Um dos momentos que mais destaca é precisamente a gravação com Omara Portuondo.

«Foi para mim um privilégio gravar com a atual maior diva cubana viva», referiu.

“O gosto é a fusão com as músicas do mundo”

Ao olhar para o percurso artístico, Mário Moita reconhece que o cruzamento entre diferentes sonoridades se tornou uma das principais marcas da carreira.

«Quando olho para trás, numa perspetiva de mais de 35 anos intensos, vejo que o gosto é a fusão com as músicas do mundo.»

Além de Cuba, o artista já trabalhou influências musicais ligadas a Espanha, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Japão. Em 2012 lançou “Fado Navegante”, um projeto gravado no Navio-Escola Sagres.

O “Fado ao Piano” continua, no entanto, a ocupar o centro da identidade artística do músico, que afirma ter recuperado uma tradição antiga da música portuguesa.

«Faço mesmo fado ao piano. Há muita gente a pôr pianos nos fados, mas eu faço o extrato do fado ao piano.»

Segundo explicou, o espetáculo apresentado em vários países inclui também conteúdos visuais sobre a história do fado e de Portugal.

As raízes alentejanas continuam presentes

Apesar da dimensão internacional do percurso, Mário Moita sublinha que o Alentejo continua a ser uma referência permanente na música que interpreta.

«O nosso Alentejo está sempre muito presente e faz parte da minha identidade e daquilo que divulgo pelo mundo.»

O cantor recorda os primeiros anos ligados ao coro da igreja e às músicas tradicionais alentejanas, elementos que continuam presentes nos concertos.

«As minhas raízes passam muito pelo cante alentejano e pelos fados.»

Ao longo da entrevista, o artista assumiu também que sente que continua a ser pouco conhecido em parte da região.

«A maior parte do Alentejo ainda nunca me ouviu cantar. Talvez porque não me deram oportunidades aqui e deram-me no Japão.»

Vila Viçosa recebe espetáculo “Fado ao Piano”

Este sábado, Mário Moita apresenta-se no Cineteatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, com o espetáculo “Fado ao Piano”, acompanhado por Jorge Silva na guitarra portuguesa, Urbano Oliveira na percussão e um baixista convidado.

O músico refere que o concerto será semelhante aos que apresenta internacionalmente, com uma componente musical e visual centrada na divulgação da cultura portuguesa.

«Vila Viçosa vai poder ver o espetáculo como se eu estivesse na Noruega, no Brasil ou no Japão.»

O artista espera também que o público participe ativamente ao longo da atuação.

«Graças a Deus tenho conseguido pôr toda a gente a cantar comigo.»

Novos projetos até ao final do ano

Depois do lançamento de “Te Quiero Havana”, Mário Moita pretende agora divulgar o projeto em festivais e salas de espetáculo ligadas ao circuito latino internacional.

Paralelamente, prepara novos registos com o atual quarteto e uma nova edição do livro dedicado à história do fado ao piano.

«Quero relançar o meu livro sobre a história do fado ao piano, mas desta vez com partituras de fados para piano.»

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