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Presidente do ICA pede a autarquias que ajudem exibição de cinema português

O presidente do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), Luís Chaby Vaz, disse que as autarquias têm de criar condições para exibir cinema português e fazê-lo chegar aos espectadores.

Num debate no final da 11.ª edição dos Encontros de Cinema Português, em Lisboa, Luís Chaby Vaz pediu “uma interação mais profunda com as autarquias” para que a oferta de cinema tenha “outro tipo de calendários” e com mais espaço para filmes portugueses.

“A maior parte das autarquias tem de criar condições para que a exibição de cinema seja uma realidade. E uma exibição que faça sentido, num trabalho com escolas, que neste momento não é possível, e que exista uma interligação maior entre os Ministérios da Educação e da Cultura. É um trabalho em rede que vai demorar tempo, mas está em curso”, disse.

O apelo do presidente do ICA ao poder local surge semanas depois de terem sido divulgadas as conclusões do grupo informal de trabalho, pedido pelo governo, para avaliar e apresentar propostas de resposta ao aumento de fecho de salas de cinema em 2025 e 2026.

Entre as recomendações saídas desse grupo de trabalho está o envolvimento dos auditórios municipais da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) para que capacitem os seus técnicos em mediação de cinema e tenham mais programação regular cinematográfica, sobretudo em locais onde há menor oferta.

O mesmo grupo de trabalho alertou ainda que a realidade nacional da exibição de cinema “é estruturalmente assimétrica”, com cinco capitais de distrito sem exibição regular: Beja, Bragança, Guarda, Portalegre e Viana do Castelo.

E há igualmente muitos concelhos sem exibição de cinema, pelo que “uma meta ambiciosa seria garantir exibição de cinema em todos os concelhos até 2027”, lê-se no relatório do grupo de trabalho.

Segundo Luís Chaby Vaz, o ICA está já num “processo interno de revisão” de procedimentos, que deverá passar igualmente pela aplicação do plano estratégico 2024-2028.

“Temos uma enorme preocupação. Temos de fazer um esforço extra para que o cinema chegue às pessoas, que as pessoas compreendam o cinema português, que as pessoas gostem e não gostem, porque isso faz parte desta dinâmica”, disse.

De acordo com os dados mais recentes do ICA, este ano – com estatísticas recolhidas até abril – estrearam-se 15 filmes portugueses nas salas de cinema, o que representa uma quota de 11% face ao total de obras estreadas nos cinemas.

Em termos de espectadores nesse mesmo período a quota situa-se em 1,4% (com 50.564 entradas), enquanto a quota de receita de bilheteira foi de 1%, totalizando cerca de 242.600 euros.

No debate, o produtor Paulo Branco lamentou que em Portugal não haja o mesmo esforço de países como Espanha e França, de colocar as artes, e em particular o cinema, nas escolas e no sistema educativo.

“Estamos sozinhos” no trabalho de exibição e divulgação do cinema português, constatou o produtor, dizendo que é “indispensável” o envolvimento dos municípios e igualmente da comunicação social.

No debate participaram ainda o investigador Manuel Damásio, da Universidade Lusófona, a responsável pela NOS Audiovisuais, Susana Barbato, e os produtores Luís Urbano e Rui Miranda, encerrando a 11.ª edição dos Encontros do Cinema Português, durante os quais foram apresentados mais de 40 projetos de cinema português em diferentes fases de produção, com expectativa de estreia nos cinemas nos próximos meses e em 2027.

No encontro, a NOS Audiovisuais apresentou o seu próprio estudo de mercado sobre hábitos de consumo dos portugueses e a relação com o cinema português, com base num inquérito ‘online’ feito a 300 pessoas entre os 18 e os 64 anos, em Portugal continental.

Segundo este estudo, 41% dos inquiridos não viram um filme português no último ano e apenas 26% viram um ou dois filmes num ano.

Dos que responderam ao inquérito ‘online’, 45% têm “referências negativas” em relação ao cinema português – nomeadamente que é “chato/aborrecido” e tem “baixa qualidade”.

Quando questionados sobre o modo como viram cinema português, 45% dos inquiridos responderam que foi em canais televisivos, 24% em plataformas de ‘streaming’ e 21% nas salas de cinema.

Sobre as razões apontadas para não verem mais cinema português, 36% reclamaram de falta de informação, 31% disseram que as histórias não lhes interessam, para 29% “não existem filmes suficientes para ver mais vezes” e 26% alegaram que “é aborrecido, lento e/ou demasiado intelectual”.

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