As Festas de Santo António devem ser mais do que um momento de celebração e animação. A ideia foi defendida pelo pároco de Reguengos de Monsaraz, Padre Manuel José Marques, que aproveitou a abertura oficial das festividades para lançar um apelo à comunidade, alertando para o aumento do isolamento social e para a necessidade de reforçar os laços entre as pessoas.
Na sua intervenção, o sacerdote enquadrou os desafios atuais numa sociedade em transformação, marcada por novas realidades sociais e tecnológicas, defendendo que o contacto humano continua a ser indispensável.
«Precisamos mesmo de sair à rua, de nos olhar olhos nos olhos, sentirmos a presença do outro. De sabermos uns dos outros», afirmou, considerando que as festas populares continuam a desempenhar um papel importante na aproximação entre as pessoas.
Um concelho que enfrenta desafios demográficos
Ao longo da sua intervenção, o pároco chamou a atenção para o envelhecimento da população e para a crescente solidão que afeta muitas pessoas, quer nas aldeias quer na cidade.
Segundo referiu, existem localidades onde os momentos de convívio são cada vez mais escassos e onde a presença de outras pessoas se tornou uma realidade menos frequente no quotidiano.
«Há hoje muita gente que vive só», alertou, acrescentando que o fenómeno não se limita às aldeias mais pequenas e que também pode ser observado nos centros urbanos.
O sacerdote recordou que existem situações em que a missa semanal representa o principal momento de encontro social para alguns habitantes, alertando para o risco de esta realidade se agravar caso a comunidade não desenvolva mecanismos de proximidade e solidariedade.
«Isto pode acontecer mais rapidamente do que pensamos e já está a acontecer», afirmou.
Habitação e emprego como fatores de fixação de jovens
Nas declarações proferidas durante a cerimónia, o Padre Manuel José Marques associou também a vitalidade da comunidade à capacidade de atrair e fixar população jovem.
Defendendo que o futuro do concelho depende da criação de condições para as novas gerações, sublinhou que «para termos jovens precisamos de empregos e para termos jovens precisamos de habitação».
O pároco considerou que esta responsabilidade não pode ser assumida apenas pelas entidades públicas, defendendo uma mobilização coletiva da sociedade.
Recordando iniciativas comunitárias do passado, referiu que muitos projetos foram concretizados através do envolvimento direto da população e apelou a um espírito semelhante para enfrentar os desafios atuais.
«Sejamos humanos»
Apesar de abordar temas como a evolução tecnológica e o impacto da inteligência artificial na sociedade, o sacerdote centrou a sua mensagem na importância das relações humanas e da participação comunitária.
Para Manuel José Marques, as festas populares continuam a ser um espaço privilegiado para fortalecer a convivência e promover a proximidade entre as pessoas.
Na conclusão da sua intervenção, deixou um apelo à população para que aproveite estes momentos de encontro e de partilha.
«Ao mesmo tempo que, a partir da vivência da festa, nos tornamos também mais humanos», afirmou, encerrando a sua mensagem com um desafio simples: «Sejamos humanos».

















