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Produtores de Odemira estimam três mil trabalhadores “insuficientemente bem alojados”

A associação de produtores do setor hortofrutícola de Odemira (Beja) estimou hoje que, do universo de cerca de 10 mil trabalhadores das explorações agrícolas, portugueses e estrangeiros, três mil estão “insuficientemente bem alojados”.

“É dentro desse universo de dez mil que a nossa melhor estimativa é de que três mil estejam insuficientemente bem alojados. Naturalmente que, dentro desses, uns estarão muito pior e outros estão razoavelmente melhor”, disse o presidente da Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores de Odemira e Aljezur (AHSA), Luís Mesquita Dias.

A associação, que representa 30 empresas que ocupam cerca de dois mil hectares do Perímetro de Rega do Mira, aponta para uma “falta de dados importante” no que respeita ao número real de mão de obra no setor agrícola do concelho de Odemira.

“Calculamos em cerca de cinco mil trabalhadores agrícolas nas empresas da AHSA, cerca de dois a três mil que trabalham para as empresas da organização de produtores LusoMorango e outros dois mil para outras explorações que não estão integradas nestas duas organizações”, sustentou.

Luís Mesquita Dias garante que a falta de condições de alojamento “é uma situação conhecida de toda a gente”, desde “os poderes públicos, do município, do Governo central, instituições que regulam as várias atividades e têm que licenciar as atividades nesta zona e, naturalmente, dos agricultores”, pelo que o ónus não pode ser atribuído às empresas.

“Não se deve nem se pode atribuir às empresas agrícolas a responsabilidade da falta de habitação. Qualquer atividade admite pessoas, paga-lhes um salário e com esse dinheiro os trabalhadores devem procurar as soluções de alojamento”, defendeu.

No entanto, “a falta de atenção do poder central e do poder local ao problema da habitação tem vindo a prolongar-se”, critica o representante das trinta empresas associadas da AHSA, que tem vindo a propor “a instalação de casas temporárias” nas várias explorações para responder à falta de alojamento no concelho.

“Aquilo que pedimos neste momento é que, durante um tempo, se simplifiquem muitíssimo as regras [do processo de licenciamento] para que as empresas possam avançar com projetos de instalação de casas temporárias nas quintas”, avançou o responsável.

Da “estimada falta de três mil alojamentos”, a AHSA, “quer contribuir com mil” e propõe que “o Estado central, através de fundos como o PRR [Programa de Resolução e Resiliência] contribua com a resolução dos restantes dois mil” alojamentos, frisou.

Segundo o responsável “existem manifestações claras de interesse e determinação de vários produtores no sentido de fazer esses investimentos” nas suas explorações agrícolas, mas é preciso “avançar de imediato” porque “não se instala um núcleo de habitações destes de um momento para o outro”.

Com a instalação destes alojamentos, “precisamos de ter as infraestruturas, temos de instalar Estações de Tratamento da água que vamos buscar ao Perímetro de Rega do Mira e fazer o tratamento dos resíduos”, observou.

“Quando começámos a falar sobre isto, em 2016, se tivesse havido a abertura esperada, nesta altura já estava feito. Se agora for aberto, esperamos que dentro de um ano a um ano e meio consigamos ter uma quantidade significativa a trabalhar”, estimou o responsável, argumentando que o problema “não se resolve só fazendo uma parte”.

O responsável espera que “a cerca sanitária”, decretada para duas freguesias do concelho de Odemira, “não dure mais de uma semana” e que, “na próxima quinta-feira, seja abolida”. 

“As empresas, que estão no pico da produção, não aguentam mais do que uma semana com 20 milhões de euros de prejuízo por semana e os trabalhadores com os seus rendimentos delapidados”, concluiu.

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