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Alcáçovas e Évora Monte integram Rota Europeia da Paz que liga séculos de diplomacia e tratados históricos.

A futura Rota Cultural da Paz poderá permitir a Alcáçovas e Évora Monte aceder a programas europeus de financiamento e promoção turística.

A candidatura da futura Rota Cultural da Paz do Conselho da Europa poderá representar uma oportunidade de acesso a financiamento europeu para os locais históricos portugueses envolvidos no projeto, entre os quais Alcáçovas e Évora Monte.

A possibilidade foi destacada por Eduardo Basso, presidente da Rede Europeia dos Sítios da Paz, que explicou ao Jornal ODigital.pt que uma das principais vantagens da certificação como Rota Cultural do Conselho da Europa está precisamente na capacidade de captar apoios comunitários destinados à valorização patrimonial e ao desenvolvimento de atividades culturais.

Segundo o responsável, ao contrário da Marca do Património Europeu, que não está associada a mecanismos de financiamento, as rotas certificadas pelo Conselho da Europa podem beneficiar de programas apoiados pela Comissão Europeia.

«As rotas culturais do Conselho da Europa já foram beneficiadas com 17 milhões de euros da União Europeia nos últimos cinco anos», referiu.

A candidatura surge numa fase em que os locais portugueses ligados à história da diplomacia e da paz procuram reforçar a sua projeção internacional, aproveitando o reconhecimento obtido através da Marca do Património Europeu atribuída ao conjunto formado por Alcáçovas, Évora Monte e Alcañices.

Turismo cultural é prioridade

Para além da componente patrimonial, a futura rota pretende afirmar-se como um instrumento de promoção turística.

Eduardo Basso explica que a evolução das Rotas Culturais do Conselho da Europa tem aproximado estes projetos do conceito de turismo sustentável, tendência que deverá também marcar a futura rede dedicada à paz.

«O que nós vamos desenvolver é o turismo cultural em torno da paz. É esse o objetivo essencial», afirmou.

A estratégia passa por criar uma rede internacional de promoção conjunta dos locais associados a tratados históricos e processos de reconciliação entre povos, utilizando a memória desses acontecimentos como elemento diferenciador da oferta cultural dos territórios envolvidos.

Projeto liga dez países

A candidatura reúne atualmente 13 sítios históricos distribuídos por dez países: Portugal, Espanha, Alemanha, Eslováquia, Hungria, Croácia, Bulgária, Roménia, Ucrânia e Turquia.

Entre os locais participantes encontram-se Alcáçovas e Évora Monte, em Portugal, vários sítios históricos em Espanha e Alemanha, a cidade croata de Zadar, o Castelo de Trenčín, na Eslováquia, e Hatusa, na Turquia.

Sobre este último local, Eduardo Basso destaca a sua relevância histórica por estar associado ao tratado de paz mais antigo conhecido.

«É o caso de Hatusa, do tratado de paz mais antigo conhecido na História», referiu.

Trabalho conjunto começou há mais de uma década

A Rede Europeia dos Sítios da Paz trabalha em conjunto desde 2010, circunstância que, segundo o presidente da associação, facilitou a construção da candidatura.

«A parceria foi a coisa mais fácil porque já estava feita», afirmou.

A candidatura deverá ser formalmente apresentada até ao final de julho. Caso obtenha a certificação, passará a integrar o programa das Rotas Culturais do Conselho da Europa, uma rede que reúne itinerários temáticos dedicados à história, cultura e património europeus.

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