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Alentejo com maior pressão na habitação: região destaca-se em encargos, privação e sobrelotação

Dados do INE mostram que o Alentejo apresenta níveis elevados de encargos, privação e sobrelotação na habitação em 2025.

O Alentejo apresenta vários indicadores de pressão habitacional em 2025, destacando-se face à média nacional em áreas como encargos com a habitação, privação severa e sobrelotação, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no âmbito do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento.

Encargos com habitação acima da média nacional

De acordo com os dados mais recentes (NUTS 2024), a carga mediana das despesas em habitação no Alentejo fixou-se em 11,6%, acima da média nacional de 11,4%.

Este valor coloca a região acima de zonas como o Centro (10,7%) e o Oeste e Vale do Tejo (10,4%), embora abaixo da Grande Lisboa (13,2%) e do Algarve (12,6%).

Privação habitacional severa com aumento face à média

No indicador de privação severa das condições de habitação, o Alentejo regista uma taxa de 4,8%, inferior à média nacional (6,1%), mas superior a regiões como o Centro (3,1%).

A Grande Lisboa apresenta o valor mais elevado (9,5%), enquanto o Alentejo surge numa posição intermédia no contexto nacional.

Sobrecarga das despesas com tendência inferior

No que diz respeito à taxa de sobrecarga das despesas em habitação — que mede a proporção de famílias que gastam mais de 40% do rendimento em habitação — o Alentejo apresenta um valor de 3,7%.

Este indicador fica abaixo da média nacional (6,3%) e significativamente distante de regiões como a Grande Lisboa (10,0%) ou a Península de Setúbal (6,7%).

Sobrelotação cresce no Alentejo

Já na taxa de sobrelotação da habitação, o Alentejo regista 11,0%, abaixo da média nacional (12,7%), mas acima do Centro (8,3%).

A região mantém-se, ainda assim, distante dos valores mais elevados observados na Grande Lisboa (15,8%) e na Península de Setúbal (14,9%).

Contexto nacional: custos e pobreza influenciam condições habitacionais

O relatório do INE indica que os custos financeiros continuam a ser o principal obstáculo à melhoria das condições habitacionais, sobretudo entre a população em risco de pobreza.

Segundo os dados, «ser dispendioso constitui o principal motivo apontado pelas famílias para a não realização das renovações necessárias», abrangendo 90,1% dos agregados em risco de pobreza.

O mesmo relatório refere ainda que a taxa de sobrecarga das despesas em habitação na população em risco de pobreza é mais de oito vezes superior à registada na restante população: 24,4% face a 2,9%.

Região com desafios estruturais na habitação

Os dados apontam para um cenário em que o Alentejo combina encargos com habitação acima da média nacional com níveis relevantes de privação e sobrelotação.

Apesar de apresentar menor pressão na sobrecarga das despesas, os indicadores evidenciam diferenças face a outras regiões, inserindo-se num quadro nacional marcado pelo impacto do rendimento e do custo da habitação nas condições de vida das famílias.


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