Uma associação de defesa patrimonial de Évora está contra ‘mupis’ eletrónicos em “espaços mais sensíveis” do centro histórico e pede à câmara alteração de localizações, mas o presidente do município afiança que normas e regulamentos serão respeitados.
Em comunicado divulgado hoje, o Grupo Pro-Évora indicou que o município se prepara para “colocar mobiliário urbano para informação luminosa eletrónica”, ou seja ‘mupis’, “em jardins, praças e ruas relevantes do centro histórico da cidade”.
Estes equipamentos “não só apresentam problemas sérios de integração visual, degradando a estética citadina, como prejudicarão a fruição desses espaços por parte de moradores e visitantes”, realçou a mesma associação de defesa do património.
Contactado hoje pela agência Lusa a propósito desta posição, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, argumentou que “qualquer instalação no centro histórico respeitará as normas e regulamentos aplicáveis”.
Na nota, a associação de defesa patrimonial considerou “especialmente grave” a colocação de ‘mupis’ em jardins e aludiu aos casos dos jardins do Paraíso e do Largo de Avis, “duas raras manchas verdes do centro histórico em áreas residenciais”.
Os jardins são “locais tranquilos de lazer e de sossego, que perderão o seu encanto e imporão o choque luminoso eletrónico a quem os frequente”, alertou, advertindo que a iniciativa está “em contradição com o Regulamento de Publicidade e Ocupação do Espaço Público do Município”.
Também em declarações à Lusa, o presidente do Grupo Pro-Évora, Marcial Rodrigues, disse que a autarquia está a instalar oito ‘mupis’ no centro histórico e realçou que discorda da localização de alguns deles, por estarem “em zonas mais sensíveis”.
“Há ainda tempo de corrigir o que está mal”, sublinhou, apelando à câmara para corrigir o que considerou ser a localização errada de alguns equipamentos.
O Grupo Pro-Évora lamentou que, neste processo, tenha havido “falta de participação pública”.
“Não pode deixar de causar alguma perplexidade que uma decisão desta natureza não tenha sido analisada na Comissão Municipal de Arte, Arqueologia e Defesa do Património, fórum criado precisamente com a finalidade de discussão e legitimação das decisões com relevância patrimonial para a cidade”, criticou.
Segundo a associação, os habitantes que moram cerca dos locais onde serão instalados os ‘mupis’ “não foram tidos nem achados, mesmo sabendo os responsáveis que os residentes são um elemento humano fundamental para a vitalidade, preservação e gestão” do centro histórico.
A instalação dos equipamentos acontece “num momento em que a discussão de questões pertinentes sobre o centro histórico de Évora assume particular relevância”, assinalou também a associação.
Como exemplo, o Grupo Pro-Évora aludiu ao “crescimento exponencial de ‘grafitti’ e outras inscrições nos edifícios da cidade” ou à “proliferação da publicidade descontrolada, em incumprimento dos regulamentos aplicáveis”, assim como à “colocação de propaganda política, quer no interior do centro histórico, quer na sua envolvente imediata”.
Este ano, o centro histórico de Évora assinala quatro décadas como Património Mundial da Humanidade, título atribuído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 25 de novembro de 1986.
Évora vai ser também Capital Europeia da Cultura em 2027.


















