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Autarca de Arronches aponta «falta de valorização» como principal desafio do porco alentejano

Presidente da Câmara de Arronches alerta para desafios do porco alentejano, incluindo falta de valorização, comunicação e infraestruturas.

O presidente da Câmara Municipal de Arronches, João Crespo, alertou para os principais desafios que o setor do porco alentejano enfrenta na região, destacando a falta de valorização no mercado nacional e a dependência do escoamento para Espanha.

As declarações foram feitas ao Jornal ODigital.pt no âmbito da 2.ª edição do Festival “Saberes e Sabores do Porco Alentejano”, que decorreu no concelho durante o fim de semana.

Falta de valorização e escoamento para Espanha

Segundo o autarca, a maioria da produção de porco alentejano não é consumida em Portugal, sendo exportada quase na totalidade para o país vizinho.

«O porco alentejano vive momentos difíceis. Não é valorizado em Portugal, portanto, 90 a 95% da produção vai para Espanha», afirmou João Crespo .

O presidente da autarquia sublinhou ainda que, após transformação, o produto regressa ao mercado com outra designação, o que contribui para a perda de identidade da produção nacional.

«Depois vêm de Espanha com outro rótulo, como porco ibérico ou porco preto, quando temos porco alentejano de grande qualidade», acrescentou .

Comunicação e reconhecimento junto dos consumidores

Outro dos desafios identificados prende-se com o desconhecimento do produto por parte dos consumidores portugueses.

Para João Crespo, é necessário reforçar a comunicação e promoção do porco alentejano. «Se falarmos em porco alentejano, ninguém conhece, mas conhecem o porco preto», referiu, defendendo uma estratégia concertada entre produtores e associações .

O autarca considerou ainda que deve existir apoio institucional para promover o produto e incentivar o seu consumo em Portugal.

Falta de matadouros no Alentejo condiciona o setor

A ausência de matadouros na região foi também apontada como um entrave à valorização da fileira.

«Não havendo um matadouro em todo o Alentejo, o que é grave, os abates são feitos no litoral», explicou João Crespo, referindo que os animais são transportados vivos, o que implica custos adicionais e impacto na cadeia de produção .

O presidente da Câmara admitiu que a criação de matadouros móveis poderá ser uma solução, aguardando-se desenvolvimentos legislativos nesta matéria.

Impacto na economia local e na gastronomia

João Crespo defendeu que a valorização do porco alentejano teria impacto direto na economia local, nomeadamente na restauração e na promoção da gastronomia regional.

«À volta do porco há sempre criação de valor», afirmou, sublinhando que o concelho de Arronches tem forte ligação à gastronomia e ao setor da restauração .

O autarca considera que o reforço da produção local e da cadeia de valor poderá contribuir para dinamizar a economia e afirmar o território.

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