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Autarquia de Mértola quer avançar com navegabilidade do Guadiana e manter o rio “selvagem”

Município aposta na navegabilidade do rio, turismo náutico e valorização ambiental para reforçar desenvolvimento económico do concelho.

A navegabilidade do rio Guadiana é atualmente o principal projeto estratégico de Mértola e poderá assumir um papel central no desenvolvimento turístico e económico do concelho. A posição foi defendida pelo presidente da Câmara Municipal de Mértola, Mário Tomé, após a visita do secretário de Estado das Pescas e do Mar ao concelho, no âmbito do MAR 2030.

Em declarações ao jornal ODigital.pt, o autarca afirmou que o município se encontra numa “fase de maturidade” relativamente ao processo de dragagem e limpeza do rio, na sequência do protocolo assinado com o Fundo Ambiental após as cheias registadas no concelho.

“O projeto maior para Mértola, nesta fase, é claramente a questão da navegabilidade do rio, que tanto queríamos implementar e que acreditamos que pode ser fundamental para o território e para potenciar ainda mais essa nossa vertente que é o turismo”, afirmou Mário Tomé.

Segundo o presidente da autarquia, a reunião com o secretário de Estado incidiu sobretudo na perspetiva futura para o Guadiana, nomeadamente após os trabalhos de dragagem, limpeza e reforço das margens.

“O senhor secretário de Estado falou connosco sobretudo numa perspetiva futura de pós-dragagem, limpeza do rio feita, até que ponto é que podemos captar financiamento, quer para essa perspetiva do rio, quer para apoiar a pesca artesanal mais local”, explicou.

“Queremos manter um Guadiana selvagem”

Apesar da aposta na navegabilidade e no turismo náutico, o município defende que o desenvolvimento do Guadiana deve preservar as características naturais do território.

“Nós na questão da navegabilidade não queremos uma navegabilidade balizada, sem definição de um canal, com excesso de estruturas a indicar o canal. Nós preferimos manter um Guadiana selvagem”, afirmou o autarca.

Mário Tomé considera que essa é uma das principais marcas diferenciadoras de Mértola, apontando a localização em pleno Parque Natural do Vale do Guadiana e a ligação histórica da vila ao rio.

“O que nos pode diferenciar é essa especificidade única”, referiu.

O presidente da Câmara destacou ainda o potencial turístico associado ao rio, à paisagem natural e a locais como o Pulo do Lobo, defendendo que Mértola “pode tirar muito mais do rio” numa lógica de desenvolvimento do território.

Estratégia junta turismo, ciência e economia local

A estratégia apresentada pelo município no âmbito do MAR 2030 assenta na valorização integrada do Guadiana, cruzando turismo, património natural, investigação científica e economia local.

“Mértola definiu como pilar para a sua estratégia o rio, o património histórico-cultural e, mais recentemente, o património natural”, explicou Mário Tomé.

Nesse contexto, o autarca destacou o papel da Estação Biológica de Mértola, desenvolvida em parceria com a Universidade do Porto e com colaboração da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

“É a ciência em prol da região e do sítio”, afirmou.

Segundo o município, a estação tem vindo a desenvolver estudos relacionados com biodiversidade, caça, patologias da fauna e monitorização dos níveis de salinidade do Guadiana.

Município quer reforçar apoio à pesca artesanal

A pesca artesanal foi outro dos temas discutidos durante a visita do secretário de Estado. O autarca reconhece que a atividade enfrenta dificuldades, sobretudo devido à redução da escala produtiva no rio.

“Não é possível, com o peixe que o rio tem neste momento, que algum pescador possa fazer a vida disso. Não há dimensão, não há escala”, afirmou.

Mário Tomé admitiu também que as alterações no caudal do Guadiana tiveram impacto na atividade piscatória ao longo dos últimos anos.

“Alqueva prejudicou Mértola porque mudou o caudal do rio. O caudal nunca mais foi o mesmo”, disse.

Ainda assim, o município pretende continuar a apoiar os pescadores locais e admite avançar com um armazém de apoio à atividade piscatória através de financiamento associado ao MAR 2030.

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