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Autárquicas 2025: CDU quer candidatar-se a todos os municípios e “consolidar e reforçar” câmaras

A CDU quer candidatar-se nas eleições autárquicas aos 308 municípios do país e pretende “consolidar e reforçar” o número de câmaras que detém atualmente, numa altura em que 11 dos seus 19 presidentes atingem o limite de mandatos.

Nas últimas eleições autárquicas, em 2021, a CDU candidatou-se a 305 municípios – só faltaram três na região autónoma dos Açores – e conquistou 19 câmaras municipais, o número mais baixo de sempre para uma coligação que, no seu auge, em 1982, governou 55 autarquias.

Quando comparado com 2017, a CDU perdeu cinco câmaras, entre as quais Loures e bastiões no sul do país que governava desde 1976, como Mora, Montemor-o-Novo e Moita.

Quatro anos depois, a CDU tenciona candidatar-se aos 308 municípios do país, sempre no quadro da coligação integrada por PCP e PEV, e quer “confirmar, consolidar e reforçar” o número de câmaras que detém atualmente, segundo indicou à Lusa Jorge Cordeiro, membro da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central do PCP.

“Nós não temos nenhuma quantificação definida. Aquilo que pretendemos é não apenas consolidar as posições que temos, como ampliá-las a outros municípios”, referiu, manifestando-se convicto de que as populações saberão “reconhecer a diferença e a vantagem de ter uma gestão autárquica da CDU”.

Entre os objetivos da CDU está recuperar câmaras perdidas em 2021, como Loures ou Moita, ambas conquistadas pelo PS, mas por margens de diferença muito curtas, na ordem dos dois mil votos, e mantendo o mesmo número de vereadores do que os socialistas.

No entanto, a CDU parte para estas autárquicas com desafios particulares em pelo menos 12 dos 19 municípios que detém atualmente, desde logo em Setúbal, que a CDU governa desde 2001, e onde, este ano, enfrentará a concorrência de uma das suas ex-autarcas.

Maria das Dores Meira, que presidiu à Câmara Municipal de Setúbal entre 2009 e 2021, sempre como candidata pela CDU, anunciou desfiliação do PCP e apresentou uma candidatura independente à autarquia, que conta com o apoio do PSD, e que pode eventualmente dividir o eleitorado da coligação, que volta a apostar na candidatura de André Martins, presidente da autarquia desde 2021.

Além deste caso específico, a CDU terá ainda de lidar com o facto de, em 11 das 19 câmaras governadas pela CDU, os presidentes não poderem recandidatar-se por atingirem o limite de três mandatos consecutivos.

É o caso de Carlos Pinto Sá, que governa a Câmara Municipal de Évora desde 2013 – e que será substituído como cabeça de lista da CDU pelo eurodeputado do PCP João Oliveira –, mas também dos autarcas de Palmela, Benavente, Grândola ou Silves.

À Lusa, Jorge Cordeiro não desvalorizou “o papel de intervenção e o peso” que cada presidente de câmara tem nos respetivos municípios, mas ressalvou que a CDU já enfrentou autárquicas em que teve de mudar um número de cabeças de lista superior ao deste ano e saiu reforçada.

Foi o caso em 2013, por exemplo, em que a CDU governava em 28 câmaras e teve de trocar de candidatos em 12 municípios, por atingirem o limite de mandatos. Apesar dessa troca, a coligação acabou por reforçar o número de autarquias, tendo conquistado 34.

Outro dos potenciais desafios da CDU prende-se com o crescimento eleitoral do Chega, que, nas últimas eleições legislativas, se tornou a primeira ou a segunda força política em localidades atualmente governadas pela CDU, como Palmela, Serpa ou Silves.

À Lusa, Jorge Cordeiro frisou que “não há nada do ponto de vista do percurso autárquico do Chega que legitime a ideia de que eles podem constituir uma alternativa”, desvalorizando a eventual ameaça que poderão representar para a CDU.

“Tanto quanto as eleições forem sobretudo focadas na sua natureza e caráter local, mais limitada fica essa ideia. Não nos condicionamos, nem nos determinamos por isso”, assegurou.

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