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Desvalorização da História nos programas escolares é erro grave, afirma Ana Paula Amendoeira

No âmbito do Congresso Internacional «Portugal Restaurado. 360 anos da Batalha de Montes Claros», que decorre até 17 de junho em Vila Viçosa e Borba, Ana Paula Amendoeira, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, defendeu a importância da História na construção da cidadania e criticou a forma como sucessivos governos têm desvalorizado o ensino desta disciplina.

«Tenho esperança que um dia a História volte ao seu lugar nos currículos das escolas e das escolas secundárias como merece», afirmou, sublinhando que se trata de «uma das disciplinas mais importantes dos currículos que são transmitidos às nossas crianças e aos nossos jovens». Para a responsável, esta desvalorização é um erro com implicações profundas: «Injustamente, erradamente, muitos governos têm desvalorizado [a História]».

Ana Paula Amendoeira alertou para o contexto atual, que descreveu como um tempo de desestruturação global, em que os valores democráticos estão sob pressão: «Estamos a assistir a um desmantelamento da ordem em que vivemos várias décadas, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial (…). É uma espécie de caos instalado no nosso mundo». Nessa linha, considerou essencial manter um compromisso com os princípios fundadores da identidade nacional: «É muito importante que mantenhamos um certo rumo, uma certa fidelidade, lealdade a princípios e a valores, justamente quando eles estão mais postos em causa».

A vice-presidente da CCDR defendeu que a História deve ser uma referência para orientar a sociedade em tempos de crise. «A História, a memória e os valores do nosso país, do nosso povo, da nossa independência, são pilares em que nos devemos inspirar para o presente e para o futuro», frisou, afastando qualquer leitura passadista ou conservadora: «Não é nacionalismo nem conservadorismo. Antes pelo contrário, são atitudes de futuro».

No seu discurso, destacou também a atualidade simbólica do congresso, ao coincidir com os 40 anos da assinatura da adesão de Portugal à Comunidade Europeia. «É simbolicamente interessante que este Congresso esteja a iniciar-se também num dia histórico para Portugal», observou.

Ana Paula Amendoeira apontou ainda o século XVII como um dos mais significativos da história nacional, considerando-o injustamente ignorado no ensino: «O século XVII é extraordinário. Congregou um país, um povo, para lutar por aquilo que é mais importante: a nossa independência». Segundo a responsável, a Batalha de Montes Claros deve ser entendida como «talvez a mais importante de todo este processo do fantástico século XVII».

Durante a sua intervenção, elogiou ainda a exposição patente no congresso, destacando os painéis dedicados à propaganda e à diplomacia. «A exposição está muito bem pensada. Está simples no sentido daquilo que transmite de forma clara, mas com a complexidade deste período», afirmou, acrescentando que o século XVII foi também «escola de intelectualidade e das elites culturais portuguesas, como o Padre António Vieira», entre outras figuras que defenderam «um desígnio de independência e de promoção dos valores nacionais».

A vice-presidente da CCDR Alentejo estabeleceu ainda uma ligação direta entre este legado e a atual candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial da UNESCO. «Estamos hoje, no século XXI, a trabalhar sobre aquilo que herdámos. Mas não é apenas uma herança. É uma herança que tem em si o gérmen da transmissão», afirmou, referindo a consagração do Reino de Portugal à Imaculada Conceição como um gesto político e simbólico fundamental para o reconhecimento da independência portuguesa.

A terminar, deixou uma mensagem de apelo ao ensino da História como ferramenta essencial de leitura crítica do mundo contemporâneo: «A História é fundamental para nós percebermos o mundo em que vivemos, seja ele qual for. É muito importante saber de onde vimos».

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