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Em Estremoz concluiu-se que a cerâmica pode ser a grande solução para o fim do plástico

A cidade de Estremoz recebe, esta sexta e sábado, Seminário “Cerâmica Tradicional do Alentejo: Um saber-fazer com necessidade de salvaguarda”.

Um evento que ocorre no auditório da Biblioteca Municipal e que pretende debater toda a temática relacionada com a cerâmica.

Na sessão de abertura do seminário marcaram presença de José Daniel Sádio, presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Maria Filomena Gonçalves, titular da Cátedra UNESCO em Património Imaterial e Saber-Fazer Tradicional Interligar Patrimónios, Antónia Fialho Conde, representante do CIDHEUS e Hugo Guerreiro, chefe da Divisão de Desenvolvimento Sociocultural, Desportivo e Educativo na Câmara Municipal de Estremoz.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Sádio, explicou que este seminário surge no âmbito de “um projeto de recuperação e de revitalização da olaria estremocense”, pois, “no nosso passado, foi uma área que nos distinguiu, e estamos de novo a dinamizá-la com cursos, pois essa é a garantia que se preservará, e este seminário insere-se também nessa estratégia”.

Já sobre o facto de Estremoz ser um bom exemplo na execução de formações relacionadas com a olaria e com o barro, José Sádio disse que “se outros municípios e outras regiões seguirem este exemplo, com mais atividades, no global todos ganharemos. É muito importante esta aposta também na olaria e no artesanato, acabámos de finalizar mais uma edição da FIAPE em que tivemos um grande foco na feira de artesanato que foi de excelência e esta aposta na formação, na divulgação e na valorização que damos aos artesãos, será a forma de chegarmos também aos nossos jovens”.

Também em declarações aos jornalistas, Hugo Guerreiro, chefe da Divisão de Desenvolvimento Sociocultural, Desportivo e Educativo na Câmara Municipal de Estremoz frisou que “queremos demonstrar que dentro de dez ou quinze anos não haverá cerâmica tradicional. Estamos a falar de património no Alentejo, um património que faz parte da nossa identidade, das nossas memórias, é um património que, tendo em conta os objetivos de desenvolvimento sustentável faz todo o sentido. Se queremos uma economia circular, se queremos produtos que sejam amigos do ambiente, se queremos produtos que sejam feitos nas terras onde são consumidos ou nas terras à volta, temos aqui a solução“.

Hugo Guerreiro acrescentou que “este seminário é no fundo um grito de alerta, o lançar desafios para novas políticas públicas nestas áreas e lançar um desafio às comunidades e aos artesãos para arregaçar as mangas e metemos mãos à obra” acrescentou.

Neste momento, ao nível da olaria e da cerâmica de construção civil, há zero aprendizes. A aposta tem sido em cursos de formação do IEFP para desempregados, e nós em Estremoz temos dirigido o nosso trabalho para quem realmente tem interesse em dar continuidade e vemos o sucesso dos Bonecos de Estremoz“, disse ainda Hugo Guerreiro.

Questionado sobre como se pode reverter toda esta situação, Hugo Guerreiro disse que “com políticas públicas que incentivem os jovens a pegar nesta arte. No caso de Estremoz, no caso de Loulé, com um grande apoio aos artesãos tradicionais, colocam-se jovens a trabalhar junto deles. Mas esse apoio não pode ser só moral, tem que haver um apoio centrado nas pessoas e que, conjuntamente com os artesãos e com os investigadores, promovam um trabalho de parceria que possa colocar os aprendizes nas oficinas a trabalhar com os velhos mestres que ainda temos a felicidade de ter”.

Hugo Guerreiro concluiu referindo que “a cerâmica tem futuro porque faz parte da nossa identidade e nós não queremos perder a nossa identidade” concluiu Hugo Guerreiro.

Fique de seguida com as imagens desta iniciativa, numa reportagem de Hugo Calado

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