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Estudo defende que centros de saúde devem ter serviços ‘online’ para marcar consulta e pedir receitas

Os autores do relatório PaRIS, esta quinta-feira divulgado, defendem que todos os centros de saúde devem oferecer serviços ‘online’ para marcar consultas ou pedir receitas, para facilitar o acesso e diminuir os tempos de espera.

Os dados do relatório apontam para a necessidade de consolidar o registo eletrónico -, garantindo que todos os centros de saúde tenham páginas eletrónicas acessíveis e fáceis de utilizar – e capacitar os utentes para poderem usar estas tecnologias.

O estudo PaRIS, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e, em Portugal, pela Direção-Geral da Saúde (DGS), envolveu 19 países. A nível nacional, ouviu mais de 11.700 utentes e 80 unidades de cuidados de saúde primários (CSP).

Face aos resultados obtidos, os autores sublinham a importância de os centros de saúde promoverem a capacitação dos utentes, em particular as pessoas com doença crónica, para o uso dos serviços digitais, ajudando a agilizar a resposta e melhorando a eficiência e continuidade de cuidados.

“Estas modalidades promovem maior equidade no acesso, otimização de recursos clínicos e conforto para os utentes, designadamente os que têm mobilidade reduzida ou outras limitações, desde que não seja imprescindível um exame físico presencial”, refere o documento.

Os dados recolhidos junto dos centros de saúde revelam que a generalidade – mas não todos – tem atendimento sem agendamento prévio aos utentes inscritos na unidade para casos de urgência, visitas domiciliárias, aconselhamento aos utentes e gestão de doenças crónicas.

Em menos de metade das unidades é possível aceder a cuidados antes ou depois do horário, pelo menos uma vez por semana, e apenas uma minoria presta cuidados durante o fim de semana.

Quanto ao histórico clínico de novos utentes, cerca de 30% das unidades ainda não acedem a esses dados eletronicamente sem necessidade de pedir informação à unidade anterior que acolheu o utente, “o que pode comprometer a continuidade da prestação de cuidados”, alerta.

Os dados indicam ainda que apenas o agendamento de consultas é realizado de forma informatizada por quase todas as unidades e sublinha: “A informatização de atividades com periodicidade predefinida (como rastreios e envio de lembretes) é também fundamental para otimizar a prestação de cuidados”.

Os autores do relatório consideram ainda fundamental que todas as unidades de CSP consigam gerar automaticamente relatórios detalhados da sua atividade, documentos que permitem “acompanhar a evolução clínica dos utentes, identificar necessidades de intervenção precoce na população utente e monitorizar grupos de risco”, apoiando a continuidade de cuidados.

Dizem igualmente que este tipo de relatórios pode contribuir para a produção de indicadores e ajudar a definir políticas públicas mais adequadas.

Quanto aos pedidos de envio de utentes para outra especialidade, os dados indicam que, apesar de as cartas de referenciação serem uma prática generalizada nos centros de saúde, o mesmo já não acontece com o retorno de informação por parte dos especialistas dos hospitais que recebem estes utentes.

Por isso, sugerem o reforço da integração de cuidados primários e hospitalares, ou outros, com “mecanismos formais e sustentáveis” para garantir respostas mais completas, contínuas e coordenadas para os cidadãos, sobretudo para quem tem necessidades complexas de saúde e está em maior risco de exclusão.

Já quanto aos incentivos institucionais, o documento diz que o facto de as Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo B apresentarem um melhor desempenho nalguns indicadores sugere que estes incentivos podem ter um “papel relevante” na melhoria de resultados em saúde. Por isso, recomenda que sejam incluídos na contratualização e nos mecanismos de incentivo indicadores de resultados e experiência reportada pelos utentes.

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