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Évora: Congresso sobre o Mármore iniciou com a ideia de que o sector precisa de “reflexão” (c/fotos)

A cidade de Évora acolhe, até quarta-feira, o congresso internacional «Mármore do Alentejo: da História ao Património» no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT).

O Congresso Internacional Mármore do Alentejo: da História ao Património. O caso da Indústria Portuguesa no Mercado Global das Rochas Ornamentais, será realizado no âmbito da 3ª Fase do projeto Património e História da Indústria dos Mármores.

Na sessão de abertura estiveram presentes o presidente da Assembleia Geral do CECHAP, Paulo Barral, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, a reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas, a diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, a vice-presidente da CCDR Alentejo, Carmen Carvalheira, o Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, representantes do IST/CERENA/U Lisboa, da Assimagra e ainda o presidente do Concelho Científico do CECHAP, Eduardo Franco.

Nas palavras proferidas presidente da Assembleia Geral do CECHAP, Paulo Barral explicou que “o projeto da História da Indústria dos Mármores, desde o início suscitou a atenção e acompanhamento de um inusitado número de instituições e investigadores, surpreendendo o acolhimento que os nossos estudos têm tido, não só a nível académico nacional, como ao mesmo nível internacional”.

Paulo Barral aproveitou a oportunidade para afirmar que “no que concerne à indústria dos mármores, as notícias que correm não são boas, há demasiada leviandade e ligeireza na avaliação do valor do recurso, com a consequência de falta de adoção de políticas coerentes e vantajosas para o subsetor em Portugal, ao contrário do que sucede noutros países também europeus”.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, disse que “o mármore é um produto com características que marcam a região do Alentejo e que é necessário dar-lhe uma particular atenção, hoje em dia, o centro das atenções passou da área produtiva para a área financeira, e na área financeira o que se assiste é sobretudo à especulação e à procura do lucro por via da especulação”, acrescentando que “é necessário olhar a economia produtiva porque é ela que produz riqueza”.

O autarca afirmou também que “o mármore mais do que um produto económico, é um produto cultural, tem a ver com a cultura, tem a ver com as características e identidade do Alentejo”.

A pandemia mostrou-nos a importância de refletirmos sobre o modelo económico que temos de construir e a sociedade que temos de construir, e pensar na necessidade de garantir o equilíbrio entre o homem e a natureza e que a atividade do homem seja compatível com a natureza, porque isso significa também conseguirmos viver melhor neste planeta”, frisou o edil eborense.

Já a reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas, disse que “é justamente pelo diálogo entre a ciência e os mais diversos atores da área das rochas ornamentais que nos últimos anos tem sido possível um vasto conhecimento sobre o passado, nas suas diversas perspetivas, permitindo apontar novas abordagens para o futuro desta atividade tão representativa”.

Ana Costa Freitas deixou claro que “a congregação do conhecimento pluridisciplinar tornou possível uma discussão mais ampla para a definição de novas estratégias desta atividade, nomeadamente inventando novos processos de desenvolvimento e sustentabilidade incluindo os culturais e organizativos”.

Um estudo da Universidade de Évora fez denotar que a intensa atividade marmórea nos concelhos Borba, Estremoz e Vila Viçosa alterou a qualidade do meio ambiente, afetando a sua componente geológica, ecológica e paisagista”, revelou a reitora da Universidade.

A diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, nas palavras proferidas, começou por reconhecer o trabalho feito até aqui pelo CECHAP, sendo que sobre os mármores disse que “podem ser considerados como uma oportunidade e ao mesmo tempo como um problema complexo e por ser tão complexo não tem sido possível obter um caminho mais claro para a sua valorização”.

Ana Paula Amendoeira referiu ainda que “é necessário construir uma estratégia regional para este problema, e as conclusões deste congresso podem convocar um fórum um pouco mais alargado em que todos temos de construir pontes entre as indústrias e os decisores políticos, para que se possa adotar uma plataforma comum de atuação e de estratégia para este recurso enorme que temos”.

Falou ainda nesta sessão a vice-presidente da CCDR Alentejo, Carmen Carvalheira, que destacou a “economia circular como um pilar fundamental para aquilo que vão ser os apoios dos fundos e da programação do próximo PO Regional, a importância da sustentabilidade, a importância da segurança e trazer todos estes temas para a discussão, nomeadamente para a governação dos municípios, aqui sempre a questão como a forma dos municípios se preparam para aplicar os resultados destes encontros”.

Fique de seguida com algumas imagens deste congresso, numa reportagem de Hugo Calado:

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