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Évora: «Este hospital já podia ter acabado», diz Ministra apontando falhas no arranque da obra

Ministra da Saúde critica falhas no arranque do Hospital Central do Alentejo e admite que esteve «para acampar» à porta da Câmara de Évora.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, identificou falhas estruturais e atrasos no arranque da construção do Hospital Central do Alentejo, em Évora, admitindo a existência de problemas graves no processo.

Segundo a governante, a situação encontrada no início do seu mandato revelou várias fragilidades. «Quando cheguei ao Governo percebi que tinha um problema grave entre mãos», afirmou, referindo que o projeto acumulava «muitas decisões para tomar, processos judiciais ainda em curso e uma reprogramação financeira que não tinha sido acautelada».

Ministra admite tensão com autarquia

Ana Paula Martins relatou dificuldades na articulação institucional, apontando a falta de entendimento com a autarquia de Évora como um dos entraves ao avanço do processo.

«Tínhamos uma Câmara Municipal que não só pouco dialogava como não queria sair daquilo que eram as suas perspetivas relativamente à construção de acessos», afirmou.

A governante admitiu mesmo que ponderou formas de pressão política para desbloquear o impasse, referindo de forma irónica, que «eu também estive para fazer greve de fome à porta da Câmara Municipal de Évora» e acrescentou que poderia mesmo ter ficado «ali sentada», numa referência à possibilidade de acampar junto à Câmara Minicipal.

Falta de acessos e decisões atrasou obra

Entre os principais problemas identificados, a ministra destacou a ausência de condições essenciais no arranque da obra.

«Este projecto desta envergadura não foi feito com a legalização prévia dos terrenos nem a construção dos acessos, o que atrasou significativamente o seu ritmo», afirmou, considerando que esses fatores comprometeram o desenvolvimento do hospital.

Ana Paula Martins acrescentou que, perante estes constrangimentos, «este hospital já podia ter acabado», reconhecendo o impacto dos atrasos acumulados.

Excesso de decisões e processos mal conduzidos

A ministra apontou também a existência de um elevado número de decisões pendentes como fator de bloqueio.

Referiu que havia «centenas de decisões para tomar», situação que se prolongou durante um período significativo e dificultou a evolução da obra, embora indique que esse número foi entretanto reduzido.

Além disso, admitiu que alguns processos não foram conduzidos da melhor forma. «Houve aqui processos que foram tão pouco bem conduzidos», afirmou, numa referência à gestão inicial do projeto.

Atrasos também ligados à complexidade da obra

Apesar das críticas, Ana Paula Martins reconheceu que a dimensão do projeto contribuiu para as dificuldades registadas.

«O arranque desta obra foi marcado por dificuldades que podiam ter sido evitadas», afirmou, acrescentando que empreendimentos desta escala enfrentam naturalmente desafios técnicos e operacionais.

A governante sublinhou que o objetivo passa agora por garantir a conclusão do hospital dentro dos prazos previstos, apontando 2027 como data para a entrada em funcionamento da nova unidade.

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