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Exposição “Sagrado Coração” em Évora coloca em diálogo arte sacra e arte bruta

Sessenta e duas obras integram a exposição “Sagrado Coração”, que coloca em diálogo peças do acervo da Arquidiocese de Évora e de arte bruta da Coleção Treger Saint Silvestre, a partir de dia 31, naquela cidade alentejana.

A mostra, com curadoria de Joaquim Oliveira Caetano, tem inauguração marcada para as 17:00 do dia 31 deste mês, no Centro de Arte e Cultura (CAC) da Fundação Eugénio de Almeida (FEA).

Em comunicado, a fundação, promotora da iniciativa, explicou que “Sagrado Coração” propõe ao público “um encontro singular entre dois universos artísticos distintos: o acervo da Arquidiocese de Évora e um conjunto de obras de Arte Bruta da Coleção Treger Saint Silvestre”.

Na exposição, patente ao público até 28 de fevereiro de 2027, é estabelecido “um diálogo estético, espiritual, visual, social, científico e antropológico entre estes dois núcleos”, disse a FEA.

Como base, acrescentou a organização, a mostra tem uma subdivisão temática por quatro salas, concretamente “A Paixão Amorosa”, “Sagrado Coração”, “Sofrimento” e “Morte”.

Contactada pela agência Lusa, a coordenadora-geral do Centro de Arte e Cultura da FEA, Marisa Guimarães, precisou que vão estar expostas 62 obras, das quais “24 são de arte sacra, do acervo da Arquidiocese de Évora, maioritariamente pinturas e esculturas”.

A mesma responsável acrescentou que as outras “38 obras são de Arte Bruta, sobretudo desenho e pintura, mas também algumas esculturas, provenientes da Coleção Treger Saint Silvestre”, que se encontra em depósito no Centro de Arte Oliva, em São João da Madeira, no distrito de Aveiro.

“É a primeira vez que se faz este diálogo entre a Arte Bruta e Arte Sacra no Centro de Arte e Cultura da FEA”, destacou Marisa Guimarães

O curador da exposição, citado no comunicado da FEA, argumentou que se cruzam nesta iniciativa “duas formas de arte que talvez tenham como traço de união precisamente a necessidade de apelarem à incontinência dos sentimentos e à expressão crua das paixões”.

“A arte religiosa da Idade Moderna, com incidência no barroco, com obras do espólio de igrejas da Arquidiocese de Évora, e um conjunto de obras contemporâneas da chamada ‘Arte Bruta’”, precisou.

Para Joaquim Oliveira Caetano, pareceu “estimulante confrontar algumas destas imagens criadas para provocar, e organizar ao mesmo tempo, os apaixonados sentimentos dos crentes com outro tipo de imagens em que semelhantes paixões são deixadas escorrer mais livremente”.

“São obras produzidas por vezes em contexto terapêutico, sempre fora da produção artística académica ou institucional, que se caracterizam amiúde por uma expressão muito direta dos sentimentos”, acrescentou.

A FEA lembrou que o acervo da Arquidiocese de Évora reúne “um vasto e valioso conjunto patrimonial composto por pinturas, esculturas, ornamentos, alfaias litúrgicas, paramentos, instrumentos musicais, documentos de arquivo e livros antigos, bem como património integrado — frescos, talha, azulejaria e tumularia”.

Entre 2002 e 2014, a FEA, em parceria com a Arquidiocese de Évora e reunindo uma equipa multidisciplinar de especialistas, desenvolveu a inventariação e a informatização dos acervos de igrejas, capelas, seminários e instituições religiosas de 158 paróquias localizadas em 24 concelhos dos distritos de Évora, Portalegre, Santarém e Setúbal.

Já a Coleção Treger Saint Silvestre “destaca-se como uma das mais relevantes coleções europeias de Arte Bruta, sendo única no sul da Europa”, disse a fundação, referindo que possui “cerca de 1.500 obras de aproximadamente 350 artistas” e “reflete a evolução de diferentes momentos históricos e das múltiplas expressões artísticas situadas à margem dos circuitos institucionais”.

“Ao aproximar estes dois universos, a exposição ‘Sagrado Coração’ propõe uma experiência imersiva e reflexiva, desafiando os visitantes a repensar fronteiras culturais, espirituais e artísticas, e a descobrir pontos de contacto inesperados entre diferentes formas de expressão humana”, vincou a FEA.

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