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Fotografias surrealistas de Fernando Lemos no Centro de Arte e Cultura em Évora

Uma exposição de fotografias de Fernando Lemos, do início da década de 1950, vai estar patente em Évora, a partir do próximo dia 28, para assinalar o centenário do nascimento deste artista que também fez parte do Surrealismo português.

Uma exposição de fotografias de Fernando Lemos, do início da década de 1950, vai estar patente em Évora, a partir do próximo dia 28, para assinalar o centenário do nascimento deste artista que também fez parte do Surrealismo português.

A mostra, intitulada “Fernando Lemos: Luz do Olhar”, tem inauguração agendada para as 17:00 do próximo dia 28, no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida (FEA), onde vai poder ser visitada até 08 de novembro.

Promovida pela FEA, em parceria com a Fundação Cupertino de Miranda, sediada em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, a iniciativa reúne um conjunto de fotografias de Fernando Lemos (1926-2019), realizadas entre 1949 e 1952.

Contactada pela agência Lusa, fonte do Centro de Arte e Cultura da FEA revelou hoje que a mostra apresenta “um total de 50 fotografias, todas a preto e branco”, pertencentes à coleção da Fundação Cupertino de Miranda.

A curadoria está a cargo de Marlene Oliveira, diretora artística do Museu da Fundação Cupertino de Miranda, “instituição que acolhe o Centro Português do Surrealismo e uma das mais importantes coleções dedicadas a este movimento artístico em Portugal”, realçou a FEA, em comunicado.

Segundo a fundação alentejana, Fernando Lemos foi uma “figura incontornável da arte portuguesa do século XX” e “construiu um percurso singular que atravessa geografias, disciplinas e campos de pensamento”.

“A sua própria descrição biográfica, simultaneamente irónica e lúcida, resume a multiplicidade de experiências que marcaram a sua vida”, indicou.

Fernando Lemos foi estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pintor, fotógrafo, músico, emigrante, diretor de museu, assessor ministerial, investigador, jornalista, poeta e cenógrafo.

Estas fotografias foram “criadas num contexto de intensa inquietação artística, política e existencial”, constituindo “um dos conjuntos mais singulares da fotografia portuguesa do século XX e um momento central da experiência surrealista em Portugal”.

“Longe de simples registos documentais, as imagens de Fernando Lemos surgem como construções mentais e encenações do inconsciente, onde luz e sombra se tornam instrumentos de pensamento”, pode ler-se no comunicado.

As suas obras, disse a FEA, são “próximas das experiências do automatismo surrealista” e “revelam um delicado equilíbrio entre impulso e controlo, entre gesto intuitivo e consciência crítica”.

De acordo com a curadora da exposição, “retratos, autorretratos e figuras do círculo de amizades do artista emergem como presenças inquietantes, suspensas entre luz e sombra, revelação e ocultação”.

“O uso dramático da iluminação, os enquadramentos cerrados, os jogos de máscara e de identidade transformam o corpo e o rosto em território simbólico, refletindo desejo, ironia, angústia e humor”, acrescentou.

Trata-se de “imagens que não se limitam a ser vistas: olham-nos de volta, interrogam-nos, colocam-nos numa relação direta e perturbadora com o real”, assinalou Marlene Oliveira.

Este núcleo fotográfico desenvolve-se em paralelo com a participação ativa de Fernando Lemos no movimento surrealista português, no período que antecede a exposição realizada em 1952, na Casa Jalco, em Lisboa, com Vespeira e Azevedo, pouco antes da sua partida para o Brasil, em 1953.

Segundo a curadora, “neste contexto, a fotografia afirma-se como um espaço de liberdade e resistência, capaz de subverter os códigos da representação e de reabilitar a realidade, no sentido defendido por Mário Cesariny”.

Ainda que as obras expostas tenham sido produzidas “num curto intervalo temporal, este conjunto de fotografias viria a marcar de forma duradoura a leitura da obra de Fernando Lemos e a sua inscrição na história da arte moderna e contemporânea”, frisou a FEA.

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