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GEOTA alerta para impactos cumulativos de centrais solares no concelho de Évora

O GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente – manifestou preocupações face aos impactos cumulativos de três centrais fotovoltaicas previstas para o território do Divor e Évora, durante a consulta pública da Proposta de Definição do Âmbito do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Central Fotovoltaica Sol de Évora, que terminou a 24 de março de 2025.

A organização não-governamental considera essencial que o EIA apresente medidas ambiciosas, vinculativas, quantificáveis e monitorizáveis para mitigar e compensar os impactos ambientais identificados. O GEOTA sublinha a importância da energia solar para a segurança e sustentabilidade do sistema energético português, mas alerta para os potenciais efeitos negativos da instalação simultânea de três centrais solares na mesma região.

As centrais previstas incluem a Central Fotovoltaica Sol de Évora, com uma potência instalada de 800 MW; a Central Solar Fotovoltaica da Graça do Divor, com 260 MW; e a Central Solar Fotovoltaica de Divor, com 210 MW, totalizando 1,3 GW de potência instalada. A principal preocupação da organização prende-se com a compatibilidade destes projetos para injetar eletricidade na rede de transporte existente, garantindo estabilidade e minimizando o risco de curtailment da produção.

Segundo o GEOTA, os projetos poderão ter impactos negativos, significativos e em parte irreversíveis nos solos, linhas de água, paisagem, fauna e flora, afetando um território com valor ecológico. A ONG defende que o EIA da Central Fotovoltaica Sol de Évora, o maior dos três projetos, deve ser detalhado na análise dos fatores ambientais e incluir alternativas que minimizem os impactos, como a redução da dimensão da central e a preservação de árvores protegidas por lei.

A organização sublinha ainda que qualquer abate de árvores deve ser compensado de forma adequada e monitorizado a longo prazo. O GEOTA defende igualmente que o projeto deve ser compatibilizado com outras atividades económicas, como a agricultura, de forma a beneficiar as comunidades locais.

Miguel Macias Sequeira, vice-presidente do GEOTA, afirmou que «Assistimos a uma falta de planeamento integrado na implementação de centrais um pouco por todo o país, com a sua concentração em alguns territórios específicos como o Divor ou o Alqueva. Tal levanta questões importantes sobre a capacidade da rede elétrica e sobre os impactes cumulativos nos ecossistemas e biodiversidade e também nas comunidades locais que pouco beneficiam destas instalações». Acrescentou ainda que «É fundamental reforçar a aposta na energia solar descentralizada, por exemplo com licenciamento mais célere na Direção-Geral de Energia e Geologia, tirando assim maior partido do potencial existente em edifícios, zonas industriais e outras áreas já artificializadas ou degradadas».

O GEOTA recomenda que o Estudo de Impacto Ambiental inclua um Plano de Envolvimento da Comunidade e de Partilha de Benefícios, promovendo ações como a reabilitação energética de habitações e o apoio à instalação de sistemas fotovoltaicos, em articulação com as comunidades locais.

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