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“Lá nas Árvores”: Évora volta a escutar o território entre música e natureza

Projeto “Lá nas Árvores” regressa a Évora de 9 a 12 de abril com programação que liga música, natureza e comunidade.

Évora volta a acolher, entre 9 e 12 de abril, o projeto “Lá nas Árvores”, integrado em Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, com um novo ciclo que aposta na relação entre criação musical contemporânea, território e comunidade, convidando o público à escuta e à participação.

Depois de um primeiro ciclo realizado em 2025, a iniciativa regressa agora com “Levantar Voo”, uma nova etapa que reforça a ligação entre humanos, natureza e património imaterial, através de concertos, workshops, performances e uma ópera comunitária.

Em declarações ao Jornal ODigital.pt, a diretora artística do projeto, Ana Telles, explica que este percurso está estruturado em três momentos até 2027, ano em que Évora será Capital Europeia da Cultura. «Este projeto tem três ciclos. O primeiro ocorreu em 2025, o segundo decorre agora e o terceiro acontecerá em 2027», refere, sublinhando que a proposta passa por «aproximar humanos e não humanos, património natural, património imaterial e criação musical contemporânea» .

Um convite à escuta e à descoberta

Ao longo de quatro dias, a programação distribui-se por vários espaços da cidade e do território envolvente, com especial incidência no Salão Central Eborense e em espaços ao ar livre.

Para Ana Telles, o objetivo central mantém-se: «aquilo que nós queremos mesmo é convidar à escuta e à descoberta», recorrendo a diferentes formatos, desde workshops e concertos até performances e projetos comunitários .

O programa arranca com a ópera comunitária “Coro dos Pequenos Cidadãos”, que envolve estudantes da Universidade de Évora e membros da comunidade. «Envolve pessoas que gostam de cantar e que já têm estado a ensaiar», explica a responsável, destacando o caráter participativo da iniciativa .

Da cidade ao território natural

Uma das marcas deste segundo ciclo é o reforço da presença em espaços naturais, numa evolução face ao ciclo anterior.

«Desta feita, vamos ter mais presença no território natural», afirma Ana Telles, apontando para atividades como a performance na Herdade da Mitra, que cruza música e tradição ligada ao mundo rural .

Nesse contexto, a diretora artística sublinha a intenção de alterar a relação habitual entre humanos e natureza: «queremos inverter esta narrativa antropocêntrica», explica, acrescentando que a proposta passa por «ir tocar para as árvores», numa lógica de partilha do espaço com outras espécies .

Aves, paisagem sonora e criação contemporânea

Se o primeiro ciclo esteve associado a elementos minerais, este segundo momento centra-se sobretudo no universo das aves e da paisagem sonora.

«Vai haver uma ligação muito maior com as aves», refere Ana Telles, apontando para exemplos como o recital “Aves do Alentejo em Música” ou os workshops de escuta e identificação de espécies .

A programação inclui ainda um concerto acusmático — formato em que a música é difundida através de altifalantes — e uma instalação sonora no coreto do Jardim Público, com obras selecionadas através de uma chamada internacional.

Sobre esta vertente, a responsável destaca a diversidade das propostas: «conseguimos selecionar obras muito variadas, que nos vão fazer descobrir outros horizontes de escuta» .

Comunidade no centro do projeto

A participação do público é um dos eixos estruturantes de “Lá nas Árvores”, com várias atividades abertas a pessoas sem formação musical.

No caso do workshop “Corpos Sonoros”, qualquer participante pode integrar o processo criativo, que culmina numa apresentação coletiva. «Qualquer pessoa pode participar, independentemente de ter ou não formação musical», sublinha Ana Telles .

Também os percursos guiados e as atividades ao ar livre procuram envolver diferentes públicos, incentivando uma relação mais atenta com o ambiente urbano e natural.

Um percurso até 2027

O projeto integra a estratégia cultural de Évora_27 e está a ser desenvolvido em parceria com o Projecto DME e a Associação Lisboa Incomum.

Para Ana Telles, o objetivo final passa por construir um impacto duradouro na relação entre cultura e território. «Acreditamos que só nesta coexistência entre humanos e outras espécies podemos construir um futuro», afirma .

O terceiro e último ciclo está previsto para 2027, sob o tema “Coexistir, Construindo Futuro”, e deverá decorrer integralmente em espaço natural.

Todas as atividades são gratuitas. A participação nos workshops requer inscrição prévia, enquanto os eventos no Salão Central Eborense implicam levantamento de bilhete no local.

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