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Luís Godinho fez balanço muito positivo da arbitragem na época 2024/25

Luís Godinho, que foi considerado o melhor árbitro de 2024/25, fez um balanço muito positivo da arbitragem na temporada que agora termina, à margem da gala do setor, na Figueira da Foz.

“Eu acho que foi muito positiva. A arbitragem, tal como o futebol, tem imensos desafios e foram muitos colocados ao longo da época desportiva, muitos jogos, muitas competições e acho que a arbitragem correspondeu da melhor forma. Obviamente que, como qualquer outro setor, podemos sempre ir mais além, mas no balanço global, no meu balanço, acho que fizemos e tivemos à altura das competições e do momento da época desportiva”, afirmou o árbitro da associação de Évora.

Sem se referir ao polémico dérbi entre o bicampeão Sporting e o Benfica, da final da Taça de Portugal, que os ‘leões’ venceram sob contestação dos ‘encarnados, o árbitro da associação de Évora assegurou que, sempre, depois de cada jogo, faz uma avaliação, na tentativa de melhorar.

“Quem é que não sofre? Acho que qualquer pessoa com dois dedos de testa tem noção que qualquer profissional, quando chega à casa, faz uma autorreflexão, muitas vezes ainda quente, mas, depois, nos dias seguintes, temos de trabalhar aquilo que foi o jogo, a prestação no jogo, o que pode melhorar, o que foi bem feito e deve repetir. E, depois, algo que é evidente, se tivemos alguma falha, tentar ver o que falhou, como falhou, para que não volte a falhar novamente. Qualquer profissional de excelência tem uma autocrítica. E eu sou muito crítico comigo e, por isso, sofro à minha maneira, mas é a forma que eu tenho mais eficaz de crescer e evoluir enquanto profissional de arbitragem”, explicou.

Luís Godinho foi o árbitro mais bem classificado da época 2024/25, com 9,402 pontos, sucedendo a João Pinheiro, segundo da hierarquia, que tinha sido primeiro classificado em 2020/21, 2021/22 e 2023/24, com 9,339, enquanto João Gonçalves, da associação do Porto, ficou no terceiro posto, com 9,304, apontando como objetivo para 2025/26 arbitrar um jogo da fase de liga da Liga dos Campeões.

“Este momento é um momento de encerramento de época, um momento de reconhecimento do trabalho da arbitragem nacional. Obviamente que premiamos a excelência daqueles que atingiram lugares muito positivos na classificação, mas não podemos esquecer que a arbitragem é um todo e que hoje aqui representamos a arbitragem portuguesa com o maior dos orgulhos e celebramos aquilo que é o reconhecimento daqueles que foram mais competentes. Não digamos que foram os melhores, foram os mais competentes ao longo da época desportiva”, justificou Godinho, deixando o apelo, para a próxima época, que “acreditem na arbitragem e nos árbitros e árbitras portugueses”.

O atual presidente da APAF reiterou a importância de momentos como a gala, pelo reconhecimento e pela dedicação dos árbitros, apesar de muitos nem chegarem ao topo.

Em declarações aos jornalistas, antes da terceira Gala da APAF, no Casino da Figueira, na Figueira da Foz, José Borges considerou desajustada a critica de que Portugal não esteja a formar tantos árbitros de qualidade como até agora.

“É um bocado injusta. Acho que é uma fase. A vida é feita de ciclos e estamos a passar por uma fase – não direi pior, porque não há fases piores nem melhores – diferente, uma fase de adaptação. Temos muito talento nas bases, temos muito talento nas nossas categorias altas e isso mais dia, menos dia, garantidamente vai vir ao de cima, porque nós temos lá muitos talentos e muito valor”, afirmou.

O líder da estrutura de classe deixou ainda o convite a “muitos mais jovens” para abraçarem a arbitragem, reconhecendo a falta de árbitros para acompanharem o aumento de competições e do número de praticantes.

“Temos de começar nas bases, começar na instrução dos jovens, logo muito cedo, a instruí-los que a arbitragem é um caminho correto, é um caminho bom e que pode-se criar aqui valores através da arbitragem e quando eles acreditarem que isso é possível, acho que é um princípio para também conseguirmos mais árbitros”, rematou.

José Borges, que sucedeu a Luciano Gonçalves, com a eleição do anterior presidente da APAF para o Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), é o único candidato ao ato eleitoral para esta estrutura, marcado para a próxima terça-feira.

O seu antecessor reiterou que “o caminho” passa por “unir o futebol”, juntando todos os agentes da modalidade para melhorar.

“Os árbitros têm de falar mais, os clubes têm de nos ouvir mais, nós temos de falar mais para os clubes, temos de falar mais para os adeptos, temos de falar mais para todos os intervenientes. Só assim é que nós conseguimos evoluir naquilo que é a qualidade dos nossos agentes, jogadores, treinadores e, árbitros, porque também temos de muita qualidade”, vincou Luciano Gonçalves.

As fases decisivas das temporadas agudizam a crispação com os elementos da arbitragem, algo que o atual líder do CA da FPF confia estar a mudar.

“Já tem existido uma grande evolução a esse nível, mas, depois, acabamos por chegar àquela última semana, àquela última jornada, e parece que nos esquecemos de tudo aquilo que foi a caminhada. Acho que, se todos estivermos predispostos a ouvir a crítica – os árbitros também têm de ser criticados quando não estão bem – e o fizermos de uma forma construtiva e não de uma forma a denegrir ou a levantar suspeitas, naturalmente, caminhamos nesse sentido”, concluiu.

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