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Reitor da Universidade de Évora destaca “dimensão ética” de Maria João Pires em cerimónia Honoris Causa (c/fotos)

Maria João Pires recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Évora e alertou para os impactos da inteligência artificial.

O Reitor da Universidade de Évora, António Candeias, defendeu o papel da cultura, da arte e do pensamento crítico na sociedade contemporânea durante a cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa à pianista Maria João Pires.

A cerimónia decorreu esta quarta-feira na Sala dos Actos do Colégio do Espírito Santo, em Évora.

“Uma forma rara de escuta e humanidade”

Nas declarações proferidas, António Candeias afirmou que a Universidade de Évora distinguiu «não apenas uma das maiores pianistas do nosso tempo, mas uma personalidade que transformou a música numa forma rara de escuta, de exigência, de humanidade e de responsabilidade».

O Reitor considerou que a homenagem representa também um reconhecimento da dimensão humana e ética de Maria João Pires, sublinhando que a pianista «nunca separou a excelência artística da responsabilidade ética».

Segundo António Candeias, a Universidade de Évora pretende distinguir «não apenas o talento, mas a forma como esse talento é colocado ao serviço dos outros».

Defesa da cultura e da universidade pública

O responsável académico deixou uma reflexão sobre o papel das universidades e da cultura numa sociedade marcada pela aceleração tecnológica e pela superficialidade.

«Uma universidade não existe apenas para transmitir conhecimento. Existe para formar a sensibilidade crítica, para defender a liberdade de espírito e para preservar aquilo que numa sociedade não pode ser reduzido à lógica da utilidade imediata», afirmou.

António Candeias defendeu também uma universidade baseada no pensamento crítico, no diálogo e na responsabilidade perante os outros.

«Defendemos uma universidade que forme pessoas inteiras e íntegras – capazes de pensar criticamente, de dialogar com quem não pensa como nós, de criar e de assumir responsabilidade perante os outros», afirmou.

“A cultura não pode ser ornamento institucional”

O Reitor destacou ainda a importância da cultura na sociedade contemporânea, defendendo que esta não pode ser encarada apenas como elemento decorativo ou institucional.

«A cultura não pode ser entendida como ornamento institucional. A cultura é uma forma de cidadania, uma forma de liberdade e de resistência contra todas as simplificações do humano», afirmou.

António Candeias considerou igualmente que as universidades têm responsabilidade na formação de cidadãos capazes de compreender a complexidade do mundo e de imaginar alternativas.

Reflexão sobre sociedade e tecnologia

O Reitor da Universidade de Évora deixou também uma reflexão sobre os desafios atuais das instituições de ensino superior.

«Vivemos tempos de transformação tecnológica acelerada, de polarização, de lógicas imediatistas», afirmou, defendendo a necessidade de recentrar a missão universitária no ser humano.

O responsável académico alertou ainda para a necessidade de preservar espaços de reflexão e pensamento crítico.

«Uma universidade precisa também desse silêncio. Precisa de uma espécie de tempo interior, de espaços onde seja possível pensar sem precipitação e sem violência», declarou.

Mensagem dirigida aos estudantes

A terminar, António Candeias dirigiu-se diretamente aos estudantes, considerando que o percurso de Maria João Pires representa um exemplo de rigor, profundidade e humildade intelectual.

«Ensina-nos a importância do rigor, da escuta, da atenção ao detalhe, da paciência e da profundidade», afirmou.

O Reitor concluiu defendendo que o futuro «não se constrói apenas com tecnologia e eficiência», mas também com «sensibilidade, imaginação, memória» e cultura.

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