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Ministro da Defesa diz que Exército cresceu 13% em 20 meses e quer “dar bons motivos” para os militares ficarem

O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou esta sexta-feira, 16 de janeiro, em Évora, que Portugal está a assistir a uma inversão no ciclo de diminuição do efetivo militar, destacando o aumento do recrutamento no Exército e anunciando um investimento de 5,8 mil milhões de euros na área da Defesa.

O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou esta sexta-feira, 16 de janeiro, em Évora, que Portugal está a assistir a uma inversão no ciclo de diminuição do efetivo militar, destacando o aumento do recrutamento no Exército e anunciando um investimento de 5,8 mil milhões de euros na área da Defesa.

O governante discursava na cerimónia de Juramento de Bandeira conjunto, realizada na Praça do Giraldo, que reuniu recrutas de diferentes cursos de formação do Exército, num ato que classificou como “um dia maior” e que marca “o fim de um ciclo e o início voluntário (…) de um compromisso que é jurado perante a Pátria, tendo como limite, se necessário for, o sacrifício da própria vida”.

“Um dos maiores juramentos de bandeira dos últimos anos”

Nuno Melo sublinhou que este foi “um dos maiores juramentos de bandeira dos últimos anos”, defendendo que os números demonstram um aumento da atratividade da carreira militar, num contexto internacional que considerou mais exigente.

“Dão um passo em frente ao serviço da Pátria, quando o mundo está mais perigoso e mais imprevisível”, afirmou, salientando que este é “um dos atos mais solenes e com maior simbolismo das Forças Armadas”.

De acordo com o ministro, este crescimento está também ligado às medidas de valorização da condição militar, apontando que “reconhecer a importância e a singularidade da condição militar é dignificar as Forças Armadas junto do povo” e contribui para atrair mais jovens.

Efetivo do Exército aumentou de 10 mil para mais de 12 mil militares

No discurso, Nuno Melo apresentou dados sobre a evolução recente do efetivo militar. “No Exército, em abril de 2024, contávamos perto de 10.000 militares. Em dezembro de 2025, este número ultrapassava 12.000. Na verdade, são 12.208”, afirmou.

O ministro apontou ainda que, “em 20 meses”, o Exército registou um crescimento de “13%”, destacando que o recrutamento aumentou com “mais 1.440 militares”, após um período prolongado de queda. “Depois de perto de 15 anos, com uma queda persistente nos números do recrutamento. O ciclo inverteu-se”, declarou.

Aumento de salários, suplementos e apoio social aos militares

O titular da pasta da Defesa afirmou que as medidas de valorização começaram pela melhoria das condições dos militares, justificando que “podemos ter os melhores equipamentos, mais modernos, mais sofisticados, sem militares, sem soldados, sargentos, oficiais, nada disso faz sentido”.

Nesse contexto, Nuno Melo referiu que o Governo avançou com aumentos salariais e reforço de suplementos, assinalando que “o suplemento da condição militar acaba de ser aumentado em 1 de janeiro”.

O ministro apontou ainda medidas de apoio social, como a criação de “um mecanismo de apoio no caso de incapacidade ou morte em serviço” e projetos para habitação a custos controlados. “Estamos também a reabilitar edifícios devolutos e messes para habitação de baixo custo para a família militar em várias cidades”, afirmou.

Hospital das Forças Armadas reforçado e mais missões internacionais

Durante o discurso, Nuno Melo disse ainda que está a ser lançada a construção de “um pólo cirúrgico” no polo de Lisboa do Hospital das Forças Armadas, com o objetivo de reforçar a unidade “como Hospital de referência”.

O ministro indicou também o aumento da participação portuguesa em missões internacionais, referindo que “aumentámos muito este ano a participação dos nossos militares em missões ao serviço da ONU, da NATO, da União Europeia, Frontex e Coligações”.

Helicóptero do Exército chega em 2026 e novos meios militares previstos

O governante anunciou ainda que 2026 deverá marcar a concretização de projetos há muito apontados para o Exército, destacando o reforço de capacidades e de equipamento.

“2026 marcará a concretização da capacidade aérea de apoio, protecção e evacuação. O primeiro helicóptero do Exército chegará ainda este ano”, afirmou, acrescentando que estão previstos “novos sistemas de artilharia” e a modernização de viaturas blindadas “Pandur”.

Nuno Melo referiu também a criação de uma “brigada média”, que classificou como um compromisso assumido perante a NATO que estava por concretizar há vários anos.

Investimento de 5,8 mil milhões aprovado em Bruxelas

No discurso em Évora, o ministro anunciou ainda que, no dia anterior, em Bruxelas, foi aprovada a candidatura portuguesa ao SAFE, o que permitirá reforçar o investimento na Defesa.

“Ontem, em Bruxelas, a nossa candidatura ao SAF foi aprovada e através do SAF vamos poder investir perto de 5,8 mil milhões € na defesa, em terra, no mar, no ar e no espaço”, declarou.

Apelo aos jovens militares: “Valeu a pena servir no Exército”

Nuno Melo dirigiu-se aos militares que prestaram juramento, sublinhando o simbolismo do momento e o compromisso perante Portugal. “A partir deste dia, também cada um de vós servirá Portugal e os portugueses fazendo a diferença”, afirmou.

O ministro deixou ainda uma palavra às famílias que acompanharam a cerimónia, salientando o papel que desempenham no percurso militar. “Uma palavra é devida também às famílias e aos amigos que, nesta vossa opção e neste vosso ciclo, estiveram do vosso lado”, disse.

No final do discurso, o ministro afirmou que o objetivo é garantir melhores condições e reforçar a permanência nas Forças Armadas. “Queremos dar-vos bons motivos para ficarem e para quando um dia olharem para trás poderem dizer já mais velhos valeu a pena servir no Exército”, concluiu.

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