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Na terceira volta, está a direita das soluções a governar

Finda as duas voltas das presidenciais de 2026, os portugueses escolheram António José Seguro para Presidente da República.

Finda as duas voltas das presidenciais de 2026, os portugueses escolheram António José Seguro para Presidente da República. Ex‑líder socialista, destratado pelo seu próprio partido, moderado e discreto. Seguro foi eleito contra os mesmos que o depuseram com zelo humilhante e que hoje se colam a ele como tábua de salvação. O PS perdeu o país e Seguro ganhou Belém. É uma justiça sarcástica que diz muito sobre o oportunismo estrutural e ancestral do Partido Socialista.

Na ressaca das eleições, convém tirar da cabeça a fantasia de que o PS “teve 66% dos votos” nas presidenciais. Seguro é teve quase 66% numa segunda volta contra Ventura. Extrapolar daí o “peso” do PS ou o “peso” do Chega é um absurdo aldrabão que precede a uma realidade paralela.

A narrativa de Ventura em eleições tornou‑se ridícula. Há sempre um relato previamente definido para uma “vitória”, mesmo quando os números dizem exatamente o contrário. De Loures à Assembleia Municipal de Moura, das legislativas à Presidência da República, o padrão é o mesmo: grande barulho, grande expectativa, grande encenação e, no fim, uma derrota cuidadosamente embrulhada em linguagem triunfalista.

O Chega engoliu a cacete do PCP na versão “nós nunca perdemos e estamos em luta contra as elites”. Não sabia era que as elites em Portugal eram 3/4 do país.

A extrapolação delirante entre eleições é a ferramenta central desta fantasia. Transpor resultados de umas presidenciais para legislativas, autárquicas ou europeias é desonesto. Achar que os 66% de Seguro significam um PS de 66% é tão sério como usar o resultado de Ventura para decretar que o país está à beira de ser tomado pelo Chega.

Os portugueses, felizmente, são mais sábios do que a aritmética lunática que querem tornar verdade à viva força e votam de maneira diferente consoante o cargo em eleição, o contexto e o risco associado.

Do outro lado está o partido que, nos últimos dois anos, foi dado por morto vezes sem conta. O PSD foi enterrado em direto, por comentadores em êxtase, cheios de teorias de que tinha perdido o centro e a direita e engolido pelos extremos, e por isso, tinha deixado de ser alternativa.  Entretanto, no mundo real aconteceu exatamente o contrário.

O PSD governa o país, lidera os governos regionais, ganhou as autárquicas com a vontade popular e é único partido de centro‑direita de confiança e com provas de governação nacional. O “fim do PSD” durou até nos lembrarmos do que importa em democracia: ter mais votos em eleições.

As presidenciais não mudam este quadro. Desde 18 de maio de 2025, a linha tem sido explícita: avançar com o programa sufragado pelos portugueses e viabilizado no Parlamento.

Não se percebe a pressa da extrapolação dos cenários do Orçamento do Estado 2027 quando o de 2026 ainda mal saiu do berço. A 9 de fevereiro, começar já a falar deste tema é a forma mais sofisticada de confessar que já não se sabe o que fazer fora do calendário dos dramas artificiais.

Os portugueses esperam que se execute o OE26, que se faça chegar à economia real a descida de impostos, que se aplique a nova lei de imigração com justiça, que o pacote de habitação se concretize, no fundo, que o Estado funcione. Querem um governo, não querem mais psico-dramas que só existem na bolha que comenta e se comenta a si própria.

Quem tentar derrubar o Governo e for irresponsável vai pagar um preço elevado. Portugal precisa de estabilidade para existir uma mudança positiva de facto e isso só pode ser garantido com um governo de quatro anos. É para isto que o Governo tem trabalhado incansavelmente e está focado.

Quanto à conversa interminável sobre os “líderes da direita”, convém pôr as coisas no sítio.

Luís Montenegro não anda à procura de um título honorífico para esbanjar em letras garrafais nas redes sociais, quer ser, e tem sido, o líder da direita das soluções. Foi esse o mandato que o povo lhe deu e é isso que se propõe cumprir ao longo da legislatura.

Luís Nunes dos Santos

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