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Na Vidigueira, representante da Comissão Europeia sublinha solidariedade europeia na coesão territorial

A política de coesão da União Europeia foi o eixo central das declarações de Luís Loureiro de Amorim, Representante Adjunto da Comissão Europeia em Portugal, durante o evento realizado na Vidigueira integrado na campanha «A Europa na Minha Região». O responsável destacou a importância da solidariedade entre Estados-Membros e o papel destes fundos na transformação dos territórios.

O encontro decorreu no Mercado Municipal de Vidigueira, numa das primeiras ações públicas do calendário iniciado a 12 de novembro. A campanha, desenvolvida pela Comissão Europeia e pela CCDR Alentejo, pretende reforçar a ligação entre os cidadãos e os projetos financiados pela União Europeia no Alentejo.

«O dinheiro pertence aos cidadãos dos 27 Estados-Membros»

Loureiro de Amorim centrou a intervenção na explicação do princípio que sustenta a política de coesão. «Nós administramos o dinheiro, mas o dinheiro pertence aos cidadãos e cidadãs dos 27 Estados-Membros», afirmou, sublinhando que cada investimento no território resulta de um esforço conjunto europeu.

O responsável recordou que, por esse motivo, cada obra apoiada no Alentejo «tem um bocadinho de Suécia, um bocadinho da Itália, um bocadinho da Bulgária», evidenciando o carácter transnacional dos fundos. Afirmou ainda que este modelo assenta numa lógica de interdependência: «Não há progresso, não há desenvolvimento egoísta. Só há progresso e desenvolvimento altruísta.»

«A coesão territorial é um conceito revolucionário»

A política de coesão foi descrita por Loureiro de Amorim como um instrumento decisivo para reduzir assimetrias regionais. «A coesão territorial é um conceito revolucionário», afirmou, lembrando que assenta na «solidariedade para além de fronteiras».

Defendeu que os Estados-Membros avançam quando o desenvolvimento é equilibrado e partilhado: «Eu só estou bem se o meu vizinho estiver bem.» O responsável reforçou que esta visão é central para alcançar «um destino que é bom para todos», através da cooperação entre governos nacionais, autoridades regionais e municípios.

Alentejo como exemplo de aplicação dos fundos

Nas declarações proferidas, o representante europeu destacou vários projetos apoiados na região, incluindo o Parque Verde Urbano da Vidigueira, iniciativas de artesanato em Odemira e a criação de cursos técnicos no Instituto Politécnico de Portalegre. Referiu que estes investimentos «tocam áreas fundamentais para o desenvolvimento regional», como o bem-estar das famílias, o turismo cultural e a fixação de jovens qualificados.

Loureiro de Amorim convidou a conhecer estes projetos e lembrou que o trabalho europeu no terreno «só ganha vida» graças à ação das autarquias e das entidades regionais: «É com o apoio das autoridades regionais e locais que esse dinheiro ganha vida.»

Comunicar resultados e aproximar os cidadãos

O representante da Comissão Europeia abordou também a importância da comunicação pública sobre o uso dos fundos, citando resultados de um inquérito recente. «Quarenta por cento das pessoas na União Europeia não sabem o que é que a União Europeia faz de concreto nas suas regiões», afirmou, defendendo que é essencial explicar aos cidadãos o destino dos recursos que financiam o desenvolvimento territorial.

A campanha «A Europa na Minha Região» responde a esse propósito. Através de eventos culturais, visitas, murais participativos e iniciativas educativas, pretende evidenciar impactos concretos dos fundos europeus no quotidiano das comunidades.

Ligações históricas à Europa

No início das declarações, Loureiro de Amorim evocou ainda a ligação histórica da Vidigueira ao continente, recordando as raízes locais da família de Bento de Espinosa. Sublinhou que a vila «é um território muito europeu desde as suas origens», reforçando a ideia de continuidade entre o passado e a atual presença europeia no desenvolvimento regional.

A iniciativa decorre até 12 de dezembro e inclui ações em vários municípios do Alentejo, com destaque para atividades culturais, educativas e de valorização do património local. O objetivo é mostrar, no terreno, como os fundos europeus se traduzem em intervenções concretas que marcam o desenvolvimento da região.

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