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Presidente da Federação dos Bombeiros de Évora alerta para falta de incentivos no combate aos incêndios rurais

Paulo Alves alertou para a falta de incentivos financeiros aos bombeiros no âmbito do dispositivo de combate a incêndios rurais.

O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora, Paulo Alves, alertou para a falta de incentivos financeiros aos operacionais integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, considerando que essa situação continua a afetar a motivação dos bombeiros.

As declarações foram feitas ao Jornal ODigital.pt, após a apresentação do Plano de Operações (PLANOP) Sub-Regional do Alentejo Central, realizada esta terça-feira, em Estremoz.

Segundo Paulo Alves, o dispositivo previsto para este ano é semelhante ao de 2025 e surge num contexto que considera exigente para os operacionais.

«Sabemos que vai ser um ano crítico e um ano difícil para todos», afirmou o dirigente federativo ao Jornal ODigital.pt.

Federação considera que dispositivo “começa coxo”

Apesar de considerar que o dispositivo foi preparado para responder às necessidades do território, Paulo Alves defendeu que continua a existir um problema estrutural relacionado com a compensação atribuída aos bombeiros.

«Achamos que é sempre injusto. É um dispositivo que começa coxo porque falta o incentivo», afirmou.

O responsável explicou que a reivindicação tem vindo a ser defendida pela Federação e pela Liga dos Bombeiros Portugueses, sobretudo no que respeita à diretiva financeira aplicada aos operacionais durante a fase mais crítica de incêndios.

«Os bombeiros são a maior força de proteção civil e continuamos a ser a força que menos recebe», referiu Paulo Alves ao Jornal ODigital.pt.

Segundo o dirigente, os valores atualmente praticados continuam abaixo das expectativas defendidas pelos bombeiros.

«Estamos a falar de três euros e meio por hora para um bombeiro, quando já deveríamos estar no mínimo à hora do ordenado mínimo nacional», acrescentou.

Ano considerado exigente para os operacionais

Paulo Alves admitiu que o dispositivo poderá ser colocado sob pressão caso ocorram incêndios de grande dimensão.

«Sabemos que o que pode acontecer. Os meios, os efetivos e os bombeiros podem não chegar, mas esperemos que sim», afirmou ao Jornal ODigital.pt.

Na fase mais crítica do DECIR, o distrito de Évora contará com cerca de 250 bombeiros e aproximadamente 60 veículos integrados no dispositivo operacional.

Serra d’Ossa entre as zonas de maior preocupação

O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora revelou ainda que as corporações participaram na preparação do dispositivo e na identificação das áreas consideradas mais sensíveis.

Segundo Paulo Alves, foi criado um grupo de trabalho entre a Federação e as 14 associações humanitárias de bombeiros do distrito para avaliar necessidades operacionais e pontos críticos do território.

«Temos a Serra d’Ossa, temos a Serra de Monfurado, temos a Serra de Portel. São sempre os pontos mais críticos que temos na nossa sub-região», explicou ao Jornal ODigital.pt.

O responsável acrescentou que esses locais estão identificados operacionalmente para permitir uma mobilização rápida dos meios em caso de ocorrência.

Bombeiros apelam à prevenção

Durante as declarações ao Jornal ODigital.pt, Paulo Alves apelou também à adoção de medidas preventivas por parte da população, sobretudo antes da entrada na fase Delta.

«O que a população tem que fazer preventivamente é a limpeza dos terrenos, nomeadamente à volta das suas habitações», afirmou.

O dirigente alertou ainda para os riscos associados às queimadas e às queimas durante os períodos de maior perigo de incêndio.

«Depois de começar a fase mais crítica, não fazer queimas sem autorização ou mesmo não as fazer preventivamente para não criarem alguma ocorrência significativa», concluiu

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