InícioOpiniãoProteção dos Consumidores Seniores:...

Proteção dos Consumidores Seniores: Uma Responsabilidade de Todos

Celebrou-se a 1 de outubro o Dia Internacional do Idoso. Esta data é uma oportunidade para se refletir sobre os desafios enfrentados por quase 2 milhões e meio de cidadãos portugueses: os consumidores seniores.  

Tanto na Europa como em Portugal, o envelhecimento demográfico é uma realidade incontornável, exigindo uma resposta especializada das organizações da sociedade civil.  Por cá, a DECO, sempre atenta às necessidades dos consumidores, tem procurado agir e dar voz aos cidadãos mais velhos, defendendo os seus direitos e interesses enquanto consumidores. Seja na contratação de serviços ou na compra de produtos, os idosos são tidos como um público fácil de pressionar ou até ludibriar. Referimo-nos às práticas comerciais desleais, mais conhecidas como vendas agressivas, de que os idosos são alvo, práticas estas que podem comprometer gravemente a sua segurança e qualidade de vida.

Os consumidores seniores encontram-se, frequentemente, em situações de maior vulnerabilidade, devido a fatores que afetam significativamente o seu dia a dia, como o isolamento; a falta de redes de apoio de proximidade e a dificuldade de interação com os meios digitais. Estas condicionantes, tornam-nos alvos preferenciais de abordagens comerciais agressivas e desleais por parte das empresas que procuram somente a obtenção de lucro. A falta de informação e a assinatura de contratos com cláusulas enganosas, muitas vezes aceites sem plena consciência dos prejuízos, levantam questões éticas e morais: Quais os limites à atuação destas empresas? Até que ponto está salvaguarda a segurança das pessoas mais velhas? Como podemos proteger melhor os nossos idosos destas práticas comerciais?

Uma das respostas a este problema grave passa pela sensibilização dos consumidores, particularmente, dos mais vulneráveis.  A DECO tem, desde os anos 90 do século passado, estado ao lado dos cidadãos mais idosos e vulneráveis, informando, alertando e denunciando publicamente as vendas agressivas, pois estas práticas têm um forte impacto nos orçamentos destes consumidores.

A leitura atenta dos contratos, o esclarecimento de dúvidas e, sobretudo, a consciência de que não se deve ceder à pressão dos vendedores, são passos fundamentais para evitar estas armadilhas de consumo. A par destes alertas, a nossa equipa informa todos os consumidores acerca dos seus direitos, nomeadamente, a existência de um período de 14 dias para rescindir este tipo de contratos celebrados à distância, e a forma como colocar em prática esse direito – enviar carta registada com aviso de receção para a entidade que vendeu o serviço ou artigo.

A celebração desta efeméride deve levar-nos a questionar: qual será a melhor forma de atuar para minimizar esta problemática? A DECO tem trabalhado para tornar os mecanismos de proteção ao consumidor cada vez mais eficientes, mas a sua eficácia dependerá, também, da capacidade de levar a informação à população.  O papel das famílias e das comunidades também é essencial. Informar os consumidores, apoiá-los nas suas decisões de consumo e incentivá-los a denunciar práticas desleais são atitudes que podem fazer a diferença.

Para além das (lamentavelmente) famosas vendas agressivas, a digitalização dos serviços, como sejam os serviços bancários, pode ser outro terreno de incerteza para os seniores. A falta de acesso ou as parcas competências de literacia digital expõem os mais velhos a novas formas de fraude, como o phishing e outras armadilhas online. A responsabilidade de garantir a proteção do consumidor deve ser assumida por todos, o Estado e as empresas devem garantir que as suas práticas comerciais sejam inclusivas e que os canais de comunicação com os consumidores estejam acessíveis a todos, independentemente da idade.

Em última análise, a proteção dos consumidores deverá ser garantida em qualquer fase e qualquer circunstância da vida dos cidadãos. A nossa sociedade deve assegurar que, à medida que envelhecemos, mantemos a capacidade de tomar decisões informadas e de usufruir plenamente dos nossos direitos.Assim, apelamos a todos – governo, organizações de cidadania, de defesa do consumidor, empresas e cidadãos – para que continuem a promover um ambiente de consumo justo e seguro. Apostar na defesa dos direitos dos consumidores seniores é apostar no futuro de todos nós.

Mais notícias

A República encenada e os seus imobilistas

O texto desta semana arrisca um pequeno desvio ao comentário político convencional. Inspirado no...

O Partido Republicano e o seu simulacro

Reagan e Trump são, formalmente, do mesmo partido, mas pertencem a tradições políticas quase...

Urbanos rurais

Todos somos rurais, ou pelo menos já o fomos; nenhum de nós é, por...

Nanomateriais de carbono como aliados no tratamento do cancro

O cancro continua a ser um dos maiores desafios da medicina moderna, sendo responsável...

As Low-cost construíram a mobilidade dos Europeus

As companhias aéreas de baixo custo representam uma das maiores revoluções da Europa das...

Barreto e a sua Anatomia da Revolução

António Barreto desenvolve em “Anatomia de uma Revolução: A Reforma Agrária em Portugal” um...

Abril vive em cada um de nós!

Celebrámos no passado fim de semana os 52 anos de um dos dias mais...

Discurso dos 52 anos do 25 de Abril

Celebramos hoje, em Évora, os 52 anos do 25 de Abril e 50 anos...

Portugal não arde por acaso

Portugal não arde por acaso. E já não há paciência para fingir que sim. Todos...

Mais visto