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«A ferrovia tem passado, presente e agora passa também a ter futuro» em Vendas Novas, afirma Ricardo Videira

A modernização da Linha de Vendas Novas representa mais do que uma intervenção ferroviária de grande escala. Para o município, trata-se da continuidade de uma identidade profundamente ligada aos caminhos de ferro e de uma aposta estratégica no desenvolvimento futuro do concelho, ancorada numa infraestrutura que marcou decisivamente a sua história económica e social.

Essa ligação histórica foi sublinhada pelo presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, Ricardo Videira, durante a cerimónia de assinatura do auto de consignação da empreitada. «Os caminhos de ferro estão intimamente ligados à história do concelho de Vendas Novas», afirmou, recordando que, a par da construção do Palácio das Passagens, em 1728, e da instalação da Escola Prática de Artilharia, «a ferrovia foi, ao longo do tempo, o principal motor de desenvolvimento da nossa terra».

A ferrovia como motor de crescimento local

A chegada das primeiras locomotivas a Bombel, em 1857, e pouco depois a Vendas Novas, marcou um ponto de viragem no território. A estação, onde se realizava a troca de comboios devido à diferença de bitola, tornou-se um eixo estruturante para a mobilidade e para a atividade económica local. Segundo Ricardo Videira, foi também a ferrovia que permitiu a instalação e expansão da indústria corticeira e, mais tarde, da indústria automóvel, fatores que «marcaram de forma decisiva o crescimento económico e social do nosso concelho».

O autarca destacou ainda que as condições de mobilidade e a proximidade à capital, traduzidas em fluxos frequentes e intensos, são uma consequência direta dessa infraestrutura ferroviária, que continua a desempenhar um papel central na vida quotidiana do concelho.

Uma terra de ferroviários

Mais do que uma infraestrutura, a ferrovia é parte integrante da identidade coletiva de Vendas Novas. «Vendas Novas é uma terra de ferroviários», afirmou o presidente da autarquia, evocando gerações de pessoas que dedicaram a vida aos caminhos de ferro. «Gente que conhece os carris, as estações e os horários e que sente no trepidar do comboio o pulsar da sua própria história».

É nesse sentido de pertença e responsabilidade que o município encara a modernização da Linha de Vendas Novas, assumindo-a como uma oportunidade para reforçar o papel do concelho na rede ferroviária nacional e internacional.

Investimento com impacto no presente e no futuro

Ricardo Videira sublinhou que a autarquia acolhe «com elevada honra e reconhecimento» a assinatura do auto de consignação da empreitada, manifestando total disponibilidade para colaborar com as entidades envolvidas. O objetivo é garantir que este investimento se traduza não apenas no reforço da competitividade da região e do país, mas também «numa melhoria concreta da oferta de destinos, da capacidade e das condições de conforto para os utilizadores».

Para o presidente da Câmara de Vendas Novas, a modernização da linha consolida uma visão de longo prazo, em que a ferrovia continua a ser um eixo estruturante do território. «A ferrovia em Vendas Novas tem passado, tem presente e, a partir de hoje, passa também a ter futuro», concluiu.

A empreitada agora consignada insere-se num investimento global de cerca de 204 milhões de euros na Linha de Vendas Novas e reforça o papel do concelho como ponto-chave no transporte ferroviário de mercadorias, ligando o Porto de Sines, o Norte do país e os corredores europeus, num projeto alinhado com os objetivos de sustentabilidade, coesão territorial e desenvolvimento económico.

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