A presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, revelou, em declarações ao Jornal ODigital.pt, que está a ser estudado um projeto para recuperar e requalificar o Convento Novo, também conhecido como Convento de São José da Esperança, na Porta de Aviz, em Évora, com o objetivo de criar um hub cultural e criativo.
Segundo Maria do Céu Ramos, trata-se de um projeto que «não estava previsto no livro de candidatura» de Évora a Capital Europeia da Cultura, documento que incluía 25 projetos. Entre esses projetos estava o equipamento cultural multifunções, sobre o qual a responsável afirmou que a associação e a Câmara Municipal de Évora «não vão desistir».
Convento Novo poderá acolher hub cultural e criativo
A intenção agora em estudo passa por recuperar um espaço que, segundo a presidente da Associação Évora_27, está «em abandono há uma vintena de anos» e fazer nascer naquele local um equipamento dedicado à cultura, à criatividade e ao conhecimento.
Maria do Céu Ramos afirmou que a recuperação do Convento Novo é «um desígnio» que a Associação Évora_27 se propõe trazer para as responsabilidades associadas à Capital Europeia da Cultura, em particular no âmbito do seu legado.
O espaço, com cerca de 4.000 metros quadrados, poderá vir a ser, nas palavras da responsável, «um lugar de prática educativa, científica, artística, cultural e tecnológica», dirigido às novas gerações e assente numa lógica de transdisciplinaridade.
Projeto pensado para Évora e para a comunidade intermunicipal
A presidente da Associação Évora_27 defendeu que o futuro equipamento deverá ter um modelo de governação envolvendo a sociedade civil, o poder autárquico e outras instituições.
Maria do Céu Ramos sublinhou ainda que o projeto terá de ser desenhado de forma sustentável, de modo a garantir «uma economia de gestão naquele equipamento» e a responder a uma ambição não apenas da cidade, mas também da comunidade intermunicipal.
A responsável explicou que a intenção é pensar o projeto em articulação com a Comunidade Intermunicipal, para que possa ganhar escala. «Ele deve ter uma escala que lhe permita entrar no circuito internacional europeu e uma escala do território da Comunidade Intermunicipal», afirmou.
Segundo Maria do Céu Ramos, esta dimensão permitirá que o futuro espaço sirva os 122 mil habitantes da comunidade intermunicipal, «sem se tornar exclusivo da cidade de Évora». A presidente da Associação Évora_27 considerou ainda que «esta partilha de recursos é muito importante» e que ganhar escala também o é.
Avanço depende de trabalho administrativo e institucional
Questionada sobre quando poderá avançar o projeto, Maria do Céu Ramos explicou que o processo se encontra numa fase ainda pouco visível, marcada por trabalho administrativo, político e institucional.
A presidente da Associação Évora_27 referiu que o edifício é património do Estado e que existem «vários ónus e encargos» associados ao espaço. Por isso, afirmou, é necessário «desconstruir este novelo» antes de abrir caminho ao projeto.
Maria do Céu Ramos afastou a possibilidade de o equipamento estar concluído em 2027. Nesse ano, a expectativa é que possam ser lançadas «as primeiras pedras» e que seja possível apresentar o projeto «com menos risco, com mais segurança e com mais certeza».
A responsável admitiu que, se o processo decorrer como previsto, 2027 poderá ser o ano em que o projeto será apresentado com maior convicção, apontando 2028 ou 2029 como horizonte para a sua materialização.
«Nem tudo se faz no tempo do ano de título», afirmou Maria do Céu Ramos, defendendo que o legado da Capital Europeia da Cultura deve ser pensado para lá do ano de 2027. «Vamos dar tempo ao tempo. Vamos habitar o tempo e vamos investir o melhor que temos para que isso aconteça», acrescentou.


















