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Entre vinho de talha e memórias, Amigos de Mora voltam a reunir quem nunca deixou a terra

Associação criada por naturais de Mora residentes em Lisboa reuniu participantes em Cabeção para debater vinho de talha e património local.

O Núcleo dos Amigos do Concelho de Mora reuniu este sábado, em Cabeção, cerca de 120 participantes no XXIV Encontro Anual da associação, iniciativa marcada por momentos de convívio, reflexão cultural e valorização das tradições do concelho.

O encontro decorreu no Centro Cultural de Cabeção e integrou conferências dedicadas ao património natural e ao vinho de talha, dois temas escolhidos pela ligação histórica e económica à freguesia anfitriã.

Atualmente com cerca de 200 associados, o Núcleo dos Amigos do Concelho de Mora foi criado há quase 25 anos por naturais do concelho residentes na área da Grande Lisboa, mantendo desde então encontros anuais rotativos pelas freguesias de Mora, Cabeção, Pavia e Brotas.

“O primeiro objetivo do núcleo é juntar pessoas”, explicou o presidente da associação, Joaquim de Matos, em delcarações ao jornal ODigital.pt, recordando que muitos dos associados vivem fora do concelho e regressam anualmente para participar na iniciativa.

Segundo o dirigente, o núcleo nasceu “com o desejo de servir a população do concelho”, procurando manter viva a ligação entre os naturais de Mora espalhados pelo país e as suas origens.

Vinho de talha e património natural em destaque

A edição deste ano incluiu uma sessão sobre a importância do vinho de talha em Cabeção, conduzida pelo presidente da Confraria do Vinho de Talha local, e uma intervenção dedicada à proteção da natureza e desenvolvimento local.

“Cabeção tem uma ligação íntima com o vinho de talha”, referiu Joaquim de Matos, explicando que a associação procura adaptar os temas de cada encontro à identidade histórica e cultural de cada freguesia.

O presidente do núcleo destacou que as sessões culturais realizadas ao longo dos anos têm procurado divulgar aspetos menos conhecidos do património do concelho, abordando temas ligados à história, economia, religião, arqueologia e tradições locais.

Entre os exemplos apontados estão encontros dedicados ao megalitismo em Pavia, ao culto de Nossa Senhora das Brotas e à presença histórica do vinho de talha na economia local.

“Há coisas que provavelmente a maior parte da população desconhece, embora viva lá todos os dias”, afirmou.

Associação promove iniciativas sociais ao longo do ano

Além do encontro anual, o Núcleo dos Amigos do Concelho de Mora desenvolve iniciativas nas áreas da saúde, educação e cultura.

Entre as atividades promovidas estão rastreios de saúde junto da população adulta e das escolas do concelho, prémios de mérito escolar atribuídos aos melhores alunos do Agrupamento de Escolas de Mora e apoio à edição de livros de autores locais.

Joaquim de Matos destacou ainda a realização de projetos ligados à preservação da memória das profissões tradicionais do concelho, algumas das quais em risco de desaparecer.

“Há uma série de profissões que eu vi desaparecer”, afirmou, recordando um projeto desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal de Mora para documentar atividades tradicionais como a olaria, a pastorícia, o trabalho dos ferradores, sapateiros e correeiros.

O responsável sublinhou também que a associação pretende reforçar o trabalho em rede entre coletividades e instituições do concelho, promovendo iniciativas conjuntas dirigidas à população local.

Encontro mantém tradição anual há mais de duas décadas

Os encontros do Núcleo dos Amigos do Concelho de Mora realizam-se anualmente desde a fundação da associação, culminando de cinco em cinco anos na Casa do Alentejo, em Lisboa, local onde se encontra sediada a coletividade.

Além das sessões culturais e da assembleia de associados, o programa inclui habitualmente um almoço de confraternização, apontado pela direção como um dos momentos centrais do reencontro entre antigos residentes, familiares e amigos ligados ao concelho.

“Fazemo-lo pelo interesse das gentes do concelho”, afirmou Joaquim de Matos, deixando também um apelo à participação de novos associados nas atividades promovidas pelo núcleo.

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