A Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC) apresentou o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do Alentejo Central (PMUS AC), um instrumento estratégico composto por 45 medidas que pretende aproximar populações num território marcado pela baixa densidade.
Numa primeira fase, a implementação arrancará nos municípios de Évora, Borba e Portel, segundo foi referido na apresentação, que teve lugar, esta sexta-feira, dia 12 de junho, no Palácio D. Manuel I, em Évora.
Mais do que definir soluções para transportes, o plano procura responder a um dos principais desafios do território: garantir condições de mobilidade num Alentejo Central marcado pela baixa densidade populacional, pela dispersão geográfica e pela existência de cidades, vilas, aldeias e povoações com realidades distintas.
Em declarações ao ODigital.pt, António Carriço, secretário intermunicipal da CIMAC, afirmou que o plano tem como “vector principal aproximar as pessoas” num território extenso, mas que pode ser “encurtado” através da concretização das medidas previstas.
“O local de nascimento, o local de residência não devem condicionar a vida das pessoas”, sublinhou António Carriço, defendendo que quem vive em povoações mais pequenas deve ter acesso a trabalho, serviços e espaços de lazer em condições semelhantes às de quem reside nos principais centros urbanos.
Plano com 45 medidas e 10 áreas de intervenção
O PMUS AC está estruturado em 45 medidas distribuídas por 10 áreas temáticas de intervenção. Segundo a CIMAC, o objetivo é promover uma mobilidade mais acessível, segura, eficiente e sustentável, reforçando as opções de transporte disponíveis, melhorando a acessibilidade a serviços e equipamentos e facilitando as deslocações quotidianas da população.
O processo agora apresentado dá continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito do PMUS Alentejo Central 2.0, cuja elaboração incluiu momentos de participação pública com municípios, associações e cidadãos. Em fevereiro, a CIMAC promoveu em Évora uma sessão dedicada ao “Futuro da Mobilidade”, integrada na construção da estratégia intermunicipal.
António Carriço destacou que as medidas foram pensadas para diferentes tipos de povoamento, desde cidades a freguesias e localidades de menor dimensão. “Não fizemos medidas genéricas que podiam ser concretizáveis numa zona e não ser noutra”, afirmou.
Mobilidade suave e preocupação ambiental
O plano não se limita ao transporte automóvel ou coletivo. A mobilidade suave, incluindo a utilização da bicicleta, surge também como uma das dimensões previstas, sobretudo nas deslocações dentro das localidades.
António Carriço referiu que a geografia do território “convida” a soluções de deslocação mais próximas, simples e ambientalmente sustentáveis. O secretário intermunicipal defendeu ainda que o plano deve preservar o ambiente e não estar “apenas focado essencialmente na deslocação”.
A CIMAC considera que a implementação do PMUS AC poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida das populações, reduzir impactos ambientais associados aos transportes e reforçar a coesão territorial no Alentejo Central.
Observatório vai acompanhar execução do plano
Uma das componentes previstas passa pela criação de um observatório para acompanhar a execução do plano. Segundo António Carriço, este instrumento não deverá limitar-se a observar a implementação das medidas, podendo também propor correções e ajustamentos.
“O plano está apresentado. São estas 45 medidas. De facto, falta experimentá-lo no terreno e o terreno são as pessoas que vão fazer sentir a efetividade deste plano”, afirmou.
A implementação deverá avançar de forma faseada. António Carriço adiantou que os três municípios estarão no início da concretização do plano, antes do alargamento ao restante território.
Com este plano, a CIMAC pretende definir uma estratégia comum para a mobilidade no Alentejo Central, procurando reduzir desigualdades no acesso a serviços, emprego e equipamentos entre quem vive nos centros urbanos e quem reside em localidades de menor dimensão.












































