A qualidade da água das praias fluviais do Alentejo e a futura revisão das regras de gestão da albufeira de Alqueva estiveram em destaque durante a cerimónia nacional do hastear da primeira Bandeira Azul 2026 numa praia do interior, realizada este sábado na Praia Fluvial de Mourão.
À margem da iniciativa, o administrador da Região Hidrográfica do Alentejo, Rui Sequeira, destacou o desempenho da região no programa Bandeira Azul e sublinhou a importância da monitorização contínua da qualidade da água nas zonas balneares interiores.
Segundo revelou, este ano foram galardoadas 396 zonas balneares em Portugal, das quais 46 correspondem a praias interiores. Destas, 11 localizam-se no Alentejo, incluindo uma nova entrada na Praia da Albufeira de Alvito.
«Estas 11 praias representam 24% das zonas balneares interiores», afirmou Rui Sequeira, considerando que o resultado reflete o trabalho desenvolvido pelas autarquias e pelas várias entidades envolvidas na valorização destes espaços.
Monitorização garante confiança aos utilizadores
O responsável explicou que a atribuição da Bandeira Azul resulta de um processo de acompanhamento realizado ao longo de vários anos.
«Houve um trabalho feito ao longo de vários anos que permitiu aferir que estamos perante uma zona balnear e ainda mais com este galardão da Bandeira Azul», referiu, acrescentando que existe uma monitorização permanente das condições da água.
Rui Sequeira destacou ainda que as condições atuais das albufeiras são favoráveis, devido à precipitação registada durante o inverno.
«Com a forte pluviosidade do inverno, temos o armazenamento das albufeiras muito superior», afirmou, considerando que esta situação reforça as garantias relativamente à manutenção dos padrões de qualidade da água ao longo da época balnear.
Alqueva mantém funções estratégicas
Apesar do crescente uso turístico da albufeira, Rui Sequeira recordou que Alqueva desempenha funções essenciais para a região.
«O fim principal delas não é o recreio», afirmou, explicando que a albufeira assegura o abastecimento de água às populações, a produção de energia hidroelétrica e o apoio ao regadio de cerca de 150 mil hectares.
O responsável reconheceu que os níveis da albufeira irão diminuir nos próximos meses devido ao aumento dos consumos, mas destacou que a disponibilidade atual de água oferece uma margem de segurança superior à registada em anos anteriores.
Revisão das regras de Alqueva avança
Durante a entrevista, Rui Sequeira anunciou também o arranque do processo de revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Alqueva, instrumento que classificou como desajustado da realidade atual.
«O Plano de Ordenamento da Albufeira de Alqueva é um plano que tem próximo de 30 anos, que já estava obsoleto», afirmou.
Segundo explicou, a revisão será desenvolvida através de uma parceria que envolve a Agência Portuguesa do Ambiente, a Associação Transfronteiriça Lago Alqueva (ATLA), os municípios da região e a EDIA.
O administrador da Região Hidrográfica do Alentejo revelou que o processo se encontra na fase de adjudicação e manifestou a expectativa de que as novas regras possam estar concluídas dentro de pouco mais de um ano.
«Esperemos que dentro de um ano e pouco tenhamos aqui as novas regras», afirmou.
Para Rui Sequeira, esta revisão permitirá adaptar a gestão de Alqueva à realidade atual do território, incorporando a experiência acumulada ao longo das últimas décadas e respondendo aos desafios associados à utilização sustentável daquele que é o maior lago artificial da Europa.

















