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CNA quer que Governo pague prejuízos causados por javalis: «Fala-se muito e faz-se pouco»

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) reuniu recentemente com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no âmbito “Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal”, onde reiterou a necessidade de serem atribuídas indemnizações aos agricultores pelos prejuízos causados por javalis, por parte do Estado.

Em comunicado, a confederação destaca que «a gravidade da situação tem forçado muitos agricultores a deixar de produzir, por não suportarem os prejuízos», nomeadamente a pequena agricultura.

«Este Governo, como os anteriores, nega-se a dar uma resposta eficaz aos agricultores e a compensação dos prejuízos não parece estar, sequer, em cima da mesa», acrescenta a nota.

Neste sentido, em declarações a’ODigital.pt, Joaquim Manuel Lopes, dirigente da CNA no Alentejo, vincou que «continuamos a fazer muitos estudos à densidade populacional, mas não tomamos medidas para a controlar».

«O javali em Portugal não tem outro predador que não seja o ser humano. Precisamos definir regras e estratégias para ir reduzindo a população até um nível que seja sustentável para os agricultores e para as populações», acrescentou.

O dirigente sublinhou ainda que a entrega da tarefa às associações de caçadores «não resolve o problema», já que o caçador «só abate o animal se tiver forma de se ver livre dele, de o consumir, ou de o vender».

«Não abatem, nem seletivamente, nem os necessários. É preciso abater e dar destino e para isso tem de haver outras soluções para o controlo da espécie», adicionou.

Assim, Joaquim Manuel Lopes comentou a opção por indeminizações do Governo, mas antes sugeriu que fosse «o próprio Estado, através dos seus organismos competentes, a intervir na redução das populações».

«É preciso outro tipo de medidas e de apoios, nomeadamente para a prevenção. Não é possível continuar a assistir ao virar de campos inteiros», frisou.

Deixou ainda a sugestão de que as entidades estatais, que «já ajudaram a comprar equipamentos», poderiam «repor essa medida», pois «um dia, a pequena agricultura pode não existir mesmo».

«O Estado tem de assumir que tem javalis e que alguns terão de ser protegidos para a espécie se manter, mas tem de haver controlo», disse.

Joaquim Manuel Lopes realçou que foi feito um estudo em 2022 pela Universidade de Aveiro, que referia que, na altura, haveria cerca de 400 mil javalis. No entanto, «não tenho dúvidas que agora serão quase o dobro, porque não são abatidos».

Desta forma, o dirigente convidou os agricultores a fazerem novamente queixa e o Ministério da Agricultura a «fazer o levantamento dos estragos», uma vez que «não há nenhum».

«Não estamos fechados à discussão e a encontrar soluções, mas achamos que, neste momento, fala-se muito e faz-se pouco. As pessoas já se fartaram de apresentar queixas e ninguém toma conta delas», complementou.

O dirigente relevou ainda que o ministério atira o problema para as associações e estas «dizem que não têm dinheiro e não pagam»: «Ficamos assim e quem tem o prejuízo que fique com ele».

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