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Leilões da APORMOR batem recorde em 2025 com mais de 40 mil bovinos vendidos: “Cerca de 50% seguem para Espanha”

Os leilões de bovinos promovidos pela APORMOR registaram, em 2025, um novo máximo histórico, com a venda de 40.030 animais, o que representa um aumento de 11,7% face ao ano anterior, confirmando a tendência de crescimento contínuo desde 2018.

Paralelamente ao aumento do volume de transações, o preço médio de venda dos bovinos valorizou entre 45% e 50% em comparação com 2024, uma subida transversal a todas as categorias etárias. Em algumas classes, os valores médios ultrapassaram os 2.800 euros por animal, refletindo a pressão da procura num mercado marcado pela redução da oferta.

“Não sai nenhum animal sem estar pago”, garante o presidente da APORMOR

Em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente da associação, Eng. Joaquim Manuel Capoulas, atribui este resultado à credibilidade conquistada pelos leilões ao longo dos últimos anos.

“Isto é o reflexo da confiança que existe entre quem vende e quem compra. Aqui, tudo é feito com o máximo de rigor e profissionalismo”, afirmou, sublinhando que “não sai nenhum animal das nossas instalações sem estar integralmente pago”.

Segundo o presidente, esta postura gerou inicialmente resistências, mas acabou por consolidar o modelo. “Ao princípio houve algumas incompreensões, mas rapidamente se ultrapassaram. Hoje toda a gente sabe que aqui as regras são iguais para todos”, referiu.

Metade dos bovinos vendidos segue para Espanha e mercados externos

Os leilões de Montemor-o-Novo atraem atualmente operadores de várias regiões do país e do estrangeiro.

“Os animais não são apenas da região. Vêm de todo o país, inclusivamente da zona de Viseu quase todas as semanas”, revelou Joaquim Capoulas, acrescentando que “cerca de 50% dos animais vendidos seguem para Espanha”, além de destinos ligados à exportação para o Médio Oriente e Norte de África.

Redução dos efetivos na União Europeia pressiona os preços

Para o presidente da APORMOR, a valorização dos preços resulta sobretudo da redução acentuada dos efetivos pecuários na União Europeia.

“O número de bovinos baixou muito em toda a Europa, reflexo das políticas que foram seguidas, e isso tem impacto direto no mercado. Isto é a lei da oferta e da procura a funcionar”, afirmou.

Preços dos bovinos considerados sustentáveis a curto e médio prazo

Questionado sobre a sustentabilidade desta evolução, o responsável afastou a hipótese de uma correção a curto prazo.

“Mesmo que hoje alguém decida aumentar os efetivos, no caso dos bovinos só ao fim de quatro anos é que isso se reflete na produção”, explicou, acrescentando que “estes preços permitem tornar a atividade viável e criar condições para atrair novas gerações para o setor”.

Montemor-o-Novo reforça papel central na formação de preços do setor pecuário

De acordo com os dados da APORMOR, o número de animais apresentados a leilão tem aumentado de forma consistente desde 2018, num contexto em que Montemor-o-Novo assume um papel central na comercialização de bovinos vivos e na formação de preços do setor pecuário nacional.

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